Diamante PB


O topônimo Diamante remonta desde 1752 e tem referência histórica muita antiga. Assim era chamado o sitio e a serra que se limitavam com as três léguas quadradas de terras "devolutas" da Casa da Torre, cujo centro de terra localizava-se no poço Pombinho, às margens do Rio Piancó, que servia para as atividades da agropecuária.

Faz-se necessário afirmar que estas terras foram concedidas pelo governador da Capitania, Antônio Borges da Fonseca ao sertanista Manoel de Sousa Olival, dando início à povoação do lugar. Em 1768, no governo de Jerônimo José de Mello e Castro, o sertanista José Félix de Sá, adquire por concessão, légua e meia quadrada de terras centralizada no Olho D'água de Diamante, que servia para a criação de gado. Em 1816, o Capitão Domingos João Dantas, morador no Piancó e que via a possibilidade de expandir seus negócios na região pede concessão de terras nesta região aos governadores interinos da Província da Paraíba, André Alves Pereira e Ribeiro Cirne, com o intuito de explorá-las. Aceito o pedido, a chefia do governo estadual confia-lhe um bom pedaço de terra, que ao norte extremava-se com a fazenda Jenipapo, ao sul com os sítios Antas e Bruscas, ao leste com a fazenda São Boa Ventura e ao oeste com o sítio Milho D'angola e Santana, que a partir de então teve seu desenvolvimento bastante acentuado. Desse modo, no centro desses limites teve origem a povoação.

Já bem estabelecido e explorando as terras do pequeno vilarejo, o Capitão Domingos João Dantas via naquela gente humilde sua vigorosa fé em Deus, a qual era expressa principalmente na figura de seu vaqueiro, José Veríssimo. Homem íntegro, de fé profunda, temente a Deus e devoto de Nossa Senhora, crente que poderia ser atendido pelo seu patrão, resolve fazer um pedido todo especial, ou seja, que o senhor dono daquelas terras doasse uma pequena leva ao patrimônio da Igreja, com o intuito de que no vilarejo fosse erguida uma pequena capelinha, onde todos os seus habitantes pudessem se reunir para as orações e as práticas de suas celebrações de vida.

Em 1846, o vaqueiro José Veríssimo tem o seu pedido atendido e o Capitão Domingos João Dantas faz a doação do terreno. No mesmo ano começa a ser erguida uma pequena latada, rústica em sua estrutura e coberta com palhas de carnaubeira, que no seu interior abrigava um simples oratório, com a imagem de Nossa Senhora do Rosário. São nestas condições que o povo se reunia para as suas orações. Devido ao aumento de moradores que freqüentavam aquele local simples, o local tornava-se pequeno para acomodar tanta gente, que a cada dia crescia também na fé. Desse modo, ao sentir a necessidade da transformação da pequena latada em um local mais aprazível para os encontros religiosos da comunidade, em 1856, dava-se início a construção da capelinha, que ao seu redor via também a elevação das primeiras residências. Com isso, o pequeno vilarejo vislumbra seu crescimento. Coube a Luís Antônio, José Maria Franco, Antônio Vicente a responsabilidade pela construção e acabamento da capela e do cruzeiro, que, para a alegria da comunidade, recebeu a imagem de Nossa Senhora da Conceição, talhada em madeira, doada pelo Capitão Domingos João Dantas.

Após a grande seca de 1877, voltam os bons invernos, e o povoado, privilegiado pela sua localização, entre o rio Piancó e o riacho do Saco (Sabonete), logo atraiu novos moradores, que muito contribuíram para o crescimento do pequeno povoado. Merecem destaques os senhores, Abílio Sérvulo de Sousa (1842-1920). Homem de profunda religiosidade e fé era casado com Águida Barreiro de Sousa, que constituiu grande família no Sítio Sabonete, vindo a ser posteriormente as famílias ABÍLIO e PEGADO uma das mais tradicionais do município. Grande agropecuarista, muito fez pela cidade, principalmente no campo religioso. Além deste, outra grande personalidade que muito contribuiu para o desenvolvimento do atual município de Diamante foi o fidalgo Gervásio de Sá Pegado (1842-1900). Vindo de Portugal, aportou em Princesa Isabel, casando-se com a senhora Cecília Antas Pereira. Ao saber da riqueza das terras de Diamante, logo se mudou e instalou a primeira beneficiadora de algodão da região na localidade. Além de grande comerciante foi também agropecuarista. Seu rebanho de bovinos era o maior de todo aquela região sertaneja, que era comercializado em Itabaiana, município localizado no baixo Paraíba, além de outras cidades do estado de Pernambuco.

Formação Administrativa

O atual município de Diamante que já foi por muito tempo distrito de Misericórdia, atual Itaporanga, obriga-nos a recorrer a essa importante cidade do Vale do Piancó, para bem entender nossa história.

Dado seu crescimento pujante, o antigo distrito que pertencia a Piancó, logo foi desmembrado, adquirindo sua autonomia pela Lei Provincial n° 104, de 11 de dezembro de 1863, verificando-se sua instalação no dia 09 de janeiro de 1865, com o nome de Misericórdia. Pôr efeito do Decreto-lei Estadual n° 1.164, de 15 de novembro de 1938, ganha o nome de Itaporanga, que em tupi-guarani significa "pedra bonita". A partir de então passa a ter mais um distrito: o de São Paulo, cujo nome foi uma sugestão do Pe. Joaquim Ludugero Pereira Diniz, vigário dessa comuna, que antes era chamava de vilarejo “Paulo Mendes”. Pelo Decreto-lei Estadual nº 520, de 31 de dezembro de 1943, que proibia o nome idênticos de localidades em todo o Brasil. Sendo assim, o distrito de São Paulo passou no dia 04 de janeiro de 1944 a denominar-se Diamante. Devido seu crescimento o novo distrito foi elevado à categoria de município através da Lei Estadual nº 2655, assinado pelo então governador Pedro Moreno Gondim, no dia 21 de dezembro de 1961. Sua instalação se deu no dia 30 de dezembro de 1961 e seu primeiro prefeito nomeado foi o senhor Arcênio da Costa Mangueira, que ficou no cargo até o dia 30 de dezembro de 1962.

Sua primeira eleição direta aconteceu no dia 01 outubro de 1962, quando seus habitantes elegeram seu primeiro prefeito. Na ocasião, foi eleito o agropecuarista e comerciante Argemiro Abílio de Sousa, juntamente com o seu vice, o também agropecuarista e comerciante Joaquim Serafim de Sousa, que governaram o município a partir de 01 de janeiro de 1963 a até o 31 de dezembro de 1967.

A primeira câmara de vereadores do município também fora eleita neste mesmo pleito e era assim constituída: Creciano Alves de Sousa, Crisanto Abílio de Sousa, Francisco Miguel Diniz, Pedro Antas Pereira, Pompeu de Sousa Diniz e Normélia Mangueira Neves.

Atualmente o município é administrado por Hércules Mangueira Diniz, filho de Hermes Mangueira Diniz (1942-2000), que governou o município por três mandatos. Foi uma das grandes lideranças políticas, deixando, portanto, um legado extenso na vida política do município de Diamante.

Argemiro Abílio de Sousa
O Grande Benfeitor

Argemiro Abílio de Sousa tem suas origens nas terras do Sítio Sabonete, de propriedade de seu genitor, tronco da família ABÍLIO e PEGADO, onde nasceu aos ................ dias do mês de ........................ do ano de 1910, sendo seus pais o senhor João Abílio Sérvulo de Sousa e dona Joana Abílio Pegado de Sousa. Casou-se com dona Luiza Martins Abílio Vieira e do seu matrimônio teve os seguintes filhos: Maria Antuza Abílio Durate, Armanda Maria Abílio Diniz e Armando Abílio Vieira. Veio a falecer aos ....... dias do mês de...... do ano de 1983.

A respeito desse grande personagem de nossa história local, pode-se dizer que, em qualquer estudo que se faça da história política de Diamante a partir da década de 60, há de se ressaltar a figura do homem público Argemiro Abílio de Sousa.

A trajetória deste ilustre homem sertanejo e cidadão diamantense constituiu-se em verdadeiro sacerdócio, traduzido em vocação constante, sincera e intransigente na defesa das causas dos mais necessitados de sua terra. O desejo de servir era, em Argemiro Abílio, uma qualidade inata, autêntica, reforçada pelo despojamento material absoluto que compunha seu estilo de vida.

Primeiro prefeito eleito do município de Diamante transplantou o espírito rigoroso com que pautava sua vida para o campo da administração. Dessa forma, sem incorrer a qualquer tipo de injustiça àqueles que vieram depois dele para comandar os destinos de Diamante, em Argemiro Abílio de Sousa podemos dizer sem nenhuma paixão advinda da emoção que, incontestavelmente foi, é e continuará sendo eternamente o grande benfeitor desta terra.

Sua larga obra administrativa e os inúmeros serviços prestados à comunidade impulsionaram o desenvolvimento da cidade e do município, graças a sua indelével sensibilidade e competência no trato da coisa pública.

Diamante como município recém criado teve em seu primeiro prefeito a visão universal de um homem que lhe deu a infra-estrutura necessária, as quais ainda hoje têm seu caráter atemporal. Nada que fez foi efêmero. A tudo que construiu, emprestou o sentido das coisas imperecíveis. Entendeu sempre que as coisas passam e se esgotam com o correr do tempo inexorável, mas são pôr elas também que os instrumentos da imortalidade se fazem presentes a cada dia na medida em que são utilizados para a realização do bem comum.

Por tudo isso é que podemos dizer que o prefeito Argemiro Abílio de Sousa foi um ser racional quase perfeito. Não é gratuitamente que seu nome se inscreve e está perpetuado como o maior administrador de seu tempo. Seu governo ainda é hoje considerado como um dos mais dinâmicos e profícuos de Diamante.

Homem de profunda fé em Deus e devoto de São Sebastião, nunca se abateu diante das dificuldades que enfrentou. Sério em suas ações, de espírito público elevado, cumpridor da palavra empenhada, probo e de ações transparentes nunca buscou privilégios pessoais. Antes de tudo, o raio de suas ações estiveram sempre voltados para o bem comum e os interesses superiores de querida terra natal.

Como legado de suas ações políticas deixou a marca do serviço prestado a Diamante, mas, sobretudo o caráter de honestidade que emprestou a tudo que realizou.

Como herança de tudo que deixou no campo político hoje temos o seu filho, deputado federal Armando Abílio Vieira, que denodadamente ao longo de sua vida parlamentar vem dando continuidade ao trabalho do seu pai, contribuindo incomensuravelmente com o desenvolvimento de Diamante e bem estar de seu povo.

Caracterizações do Município de Diamante

Localização e Acesso

O município de Diamante ocupa uma área de 211 km2 e está distante 489 km da capital do estado da Paraíba, João Pessoa. Está localizado na região Oeste do Estado da Paraíba, mesorregião de Cajazeiras, limitando-se ao Sul com Santana de Mangueira e Curral Velho; a Oeste com Ibiara e Conceição; a norte com São José de Caiana; a Nordeste com Itaporanga e a Leste com Boa Ventura.

A forma de seu território é alongada no sentido norte/sul e apresenta uma reentrância formando uma cintura, no sentido leste/oeste. A sede municipal apresenta uma altitude de 310m e coordenadas geográficas de 38o 09’ 03’’ Longitude Oeste e 07o 18’ 14’’ de Latitude Sul.

O acesso ao município se dá a partir de João Pessoa, através da BR-230 até a cidade de Patos, onde toma-se a BR-361 até Itaporanga. A partir desta, segue-se por mais 16 km, entrando-se em via pavimentada a esquerda percorrendo-se cerca de 8 km até a sede municipal.

Relevo

O relevo acha-se incluso na denominada “Planície Sertaneja”, a qual constitui um extenso pediplano arrasado, onde localmente se destacam elevações residuais alongadas e alinhadas com o “trend” da estrutura geológica regional. Dessa forma o relevo do município apresenta forma irregular com terrenos altos e baixos, que se alteram com áreas onduladas, conjuntos de serras, solos pedregosos e solos argilosos. Suas maiores altitudes encontram-se na serra Grande com 705 m, serra dos Picos com 695 m, serra da Mata Limpa com 650 m, serra do Exú com 632 m, serra dos Barreiros com 520 m, serra da Vaca Morta com 480 m, serra do Olho D’água e serrote da Ema com 450 m, respectivamente.

Aspectos Fisiográficos

Em termos climatológicos o município acha-se inserido no denominado “Polígono das Secas”, constituindo um tipo semi-árido quente e seco, segundo a classificação de Koppen. As temperaturas são elevadas durante o dia, amenizando a noite, com variações anuais dentro de um intervalo 23º a 30º C, com ocasionais picos mais elevados, principalmente durante a estação seca. O regime pluviométrico, além de baixo é irregular com médias anuais em torno de 1.090mm/ano. Devido às oscilações dos fatores climáticos, podem ocorrer variações com valores para cima ou para baixo do intervalo referenciado. No geral, caracteriza-se pela presença de apenas 02 estações: a seca, que constitui o verão, cujo clímax é de setembro a dezembro e a chuvosa, denominada pelo sertanejo de inverno.

A vegetação é de pequeno porte típica de caatinga xerofítica, onde se destaca a presença de cactáceas, arbustos e árvores de pequeno a médio portes. Os solos são resultantes da desagregação e decomposição das rochas cristalinas do embasamento, sendo em sua maioria do tipo Podizólico Vermelho-Amarelo de composição arenoargilosa, tendo-se localmente latossolos e porções restritas de solos de aluvião.

A rede de drenagem é do tipo intermitente e seu padrão predominantemente dentrítico, devido à existência de fraturas geológicas, mostra variações para retangular e angular. Os riachos e demais cursos d’ água que drenam a área, pertencem a denominada Bacia do Rio Piancó.

Águas Superficiais

O município de Diamante encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Piranhas, sub-bacia do Rio Piancó. Seus principais tributários são: o Rio Piancó e os riachos do Logradouro, do Meio, Chatinha, Carnaúba, Olho d’Água, do Saboente, do Saco e os córregos da Onça, do Romão, Umburana e dos Bois. Todos os cursos d’água têm regime de escoamento intermitente e o padrão de drenagem é o dendrítico.

Por Geraldo Mendes e Hélder Loureiro Pegado.

Um comentário:

  1. Parabens a todos de Diamente que nos mostra imagens e informações desta bela cidade.
    Saudades de minha terra querida.
    Adecio J P Sousa

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