Hulk faz primeira final na China e ainda sonha com a Rússia

"Estou em atividade e tudo pode acontecer", disse

São 17 gols e 13 assistências em 27 jogos. Ao todo, Hulk participou diretamente de 30 dos 72 gols do Shanghai SIPG (ou 41% do total), o melhor ataque do Campeonato Chinês. Se juntar os nove na Liga dos Campeões da Ásia, competição na qual foi artilheiro após chegar às semifinais, e outros três na Copa da China, o brasileiro balançou as redes 29 vezes em 42 partidas na sua primeira temporada completa no país. Agora, após bater na trave no Chinesão e na Champions, ele buscará seu primeiro título por lá logo em um clássico local. Neste sábado, Hulk, Oscar, Elkeson e companhia fazem a final da Copa da China contra o Shanghai SIPG.

– Existe aquela ansiedade de chegar logo o dia do jogo, de entrar em campo, de ganhar o primeiro título na China. Cheguei há pouco mais de um ano e terei a oportunidade de ganhar o primeiro título logo contra o nosso maior rival. São dois jogos e espero aproveitar o máximo – disse Hulk, em entrevista ao GloboEsporte.com, da concentração do shanghai (o jogo de ida acontece no próximo domingo, às 9h35 de Brasília).

Da China, Hulk alimenta o sonho de voltar à Rússia. Não necessariamente para voltar ao Zenit ou a algum clube local. Longe da Seleção desde a Copa América de 2016, ainda sob o comando de Dunga, o atacante brasileiro trabalhar para ter sua primeira chance com Tite e, quem sabe, voltar a disputar uma Copa do Mundo.

- Não recebi esse tipo de convite (da organização da Copa). Até porque estou em atividade e tudo pode acontecer. A Copa é daqui a oito meses e tudo pode acontecer. Estou lutando e vou tentar uma oportunidade na Seleção, que está muito bem. Estão todos fazendo um ótimo trabalho. No futebol, tudo pode acontecer. Se tiver uma oportunidade, vou aproveitar. Se não tiver, ficarei torcendo. Estou focado aqui e vou dando um passo de cada vez – afirmou o atacante brasileiro, ao ser questionado sobre uma possível participação na Copa, dentro ou fora dos gramados.

Hulk planeja seguir os passos de Paulinho, Renato Augusto, Gil e Diego Tardelli. Todos esses foram convocados jogando na China, sendo que o primeiro deles se destacou tanto pela Seleção que se transferiu para o Barcelona. Mas isso não quer dizer que ele tenha necessariamente o mesmo plano de carreira do volante e, apesar de uma oferta inglesa, a tendência é que ele cumpra com o contrato com os chineses.

- Tenho mais dois anos e meio de contrato. Estou conversando com o clube sobre renovação e tudo. No futebol, tudo pode acontecer. Tive propostas da Europa e da China. Nunca se sabe... às vezes, a gente planeja alguma coisa e depois tem que mudar por conta de alguma proposta que chegou - disse Hulk, que completa.

- Não vou falar clube, mas as propostas foram da Inglaterra e da China. Estou feliz em Xangai e não sei como vai ficar. Agora estou focado na final da Copa da China.

Hulk faz a primeira final com o Shanghai Shenhua, de Oba Oba Martins e Tevez, neste domingo. A volta será uma semana depois. Quem levar a melhor, levará para casa a taça de campeão da Copa da China.

Confira abaixo outros trechos da entrevista

Após um ano e meio, já está se virando bem no Chinês?

Falar em chinês está difícil. A gente anda aqui com uma tradutora para a minha família. Fica à disposição 24 horas, sempre que precisamos. O chinês é um pouco difícil. Mas tenho que aprender alguma coisa. Sei falar só “ni hao”, que é olá. Mas é muito difícil mesmo.

Como está o clima em Xangai às vésperas de uma final com clássico local?

Tem muita coisa. Fico um pouco de fora por conta do idioma. Não consigo ter tanto acesso à mídia. Mas tem muito disso e, levando em conta que é um clássico de Xangai, a cidade vai estar movimentada. Tenho certeza que o estádio vai estar cheio.

Já morou no Japão e na Rússia. Como é viver na China?

Eu tenho facilidade de me adaptar rápido. Foi assim no Japão, que fui muito jovem. Portugal foi mais fácil, por ser Europa. Na Rússia, com aquele frio todo, me adaptei muito rápido. Aqui não foi diferente. Apesar de ser um clube muito jovem, as coisas foram melhorando aos poucos, e nos adaptamos bem rápido.

Reencontrou Felipão, como rival, e Oscar, como companheiro. Sensação de nostalgia após a Copa?

Encontramos aqui os amigos. O Felipão é um grande amigo, um grande treinador. O Oscar é um grande jogador, veio para nos ajudar, e está gostando de morar aqui.

O Paulinho fez um ótimo trabalho aqui e está muito bem na Espanha. A gente tenta abrir as portas aqui e dar continuidade ao que vinha fazendo na Europa. Isso torna o Campeonato Chinês mais disputado e crescendo a cada ano.

O Tevez, seu rival neste domingo, tem o maior salário do futebol? Como é essa competição financeira entre China e Europa?

Acho que hoje o valor aqui é um pouco acima da Europa e outros lugares. Estão investindo forte no futebol e no incentivo na garota chinesa. Em escolas... Não tem como comparar, é muito distante.

Vê a China numa Copa em breve?

Tudo é possível. Eles estão crescendo, fazendo um ótimo trabalho. Claro que na vida tudo tem o seu tempo. A gente sabe que não é da noite para o dia que as coisas acontecem. Só foi para a Copa de 2002, que já tinham Japão e Coreia classificados, e depois não conseguiu de novo. Tenho certeza que cada ano que passa, com novos jogadores e outros mais experientes, eles vão evoluir. Falo por experiência própria, comparando de um ano para cá, o futebol aqui evoluiu bastante. Estão mais experientes, um pouco mais experientes em campo. Poderão ajudar a seleção e o futebol chinês a crescerem.

Copa no Brasil x Copa na Rússia?

Tem uma organização muito boa na Rússia. Estive lá na Copa das Confederações. O Estádio de São Petesburgo ficou maravilhoso e um dos mais modernos do mundo. Em Moscou também foi reinaugurado, ficou muito lindo. Tem tudo para ser uma grande Copa, como foi no Brasil. Espero que não só os jogos, mas os torcedores também se divirtam fora dos estádios.

Onde o Brasil está entre os favoritos

Será uma Copa muito disputada. Se estiver junto, darei meu melhor. Se estiver de longe, estarei torcendo. Claro que vai ser muito disputada, mas o Brasil cresceu muito nos últimos jogos e vem ganhando respeito. Vai chegar muito bem para o Mundial e chegará como um candidato ao título. A Alemanha é uma seleção muito forte e até mesmo eliminatória não é fácil. Você vê Itália e Holanda fora. Numa Copa do Mundo, é mais difícil ainda.

Fonte Globo Esporte

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