Menu
Mundo

Presos políticos, entre eles estrangeiros, são libertados na Venezuela

As primeiras libertações confirmadas de prisões venezuelanas são de cinco cidadãos espanhóis, dos quais pelo menos três estavam detidos após a crise pós-eleitoral de 2014.

Por Redação

09/01/2026 às 15:52 | Atualizado em 11/01/2026 às 13:20

Uma arara voa perto de bandeira venezuelana no Palácio Federal Legislativo, em Caracas, Venezuela - 16/04/2024REUTERS/Gaby Oraa

Uma arara voa perto de bandeira venezuelana no Palácio Federal Legislativo, em Caracas, Venezuela (Foto: 16/04/2024REUTERS/Gaby Oraa)

O governo da Venezuela anunciou a libertação de "um número significativo" de presos políticos, tanto venezuelanos quanto estrangeiros, cinco dias após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos Estados Unidos.

O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que disse que a medida tem como objetivo "contribuir para o esforço" de "unidade nacional" no país.

Entretanto, ele não especificou quantos presos seriam libertados, nem quem exatamente.

“O governo bolivariano decidiu libertar um número significativo de cidadãos venezuelanos e estrangeiros, e esses processos de libertação estão em andamento”, afirmou Rodríguez.

A ONG Foro Penal informou que havia 806 presos políticos em cadeias venezuelanas em 5 de janeiro de 2026; entre eles, estrangeiros ou pessoas com dupla cidadania.

Após a operação militar que capturou Maduro, autoridades dos EUA solicitaram, entre outras coisas, a libertação de presos políticos, segundo uma fonte próxima a um relatório apresentado esta semana a parlamentares pelo governo Trump.

As primeiras libertações confirmadas de prisões venezuelanas são de cinco cidadãos espanhóis, dos quais pelo menos três estavam detidos após a crise pós-eleitoral de 2014.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, confirmou que os cinco já estavam retornando ao país europeu.

A seguir, veja um breve perfil dos presos políticos cuja libertação na Venezuela foi confirmada.

Rocío San Miguel

Rocío del Carmen San Miguel Sosa, de 58 anos, é advogada venezuelana-espanhola especializada em Direito Internacional e Política, e possui mestrado pelo IAEDEN.

Ela é uma renomada analista em questões de segurança, defesa e direitos humanos na Venezuela.

Até sua prisão, ela atuava como presidente da associação civil Control Ciudadano, dedicada ao monitoramento das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas.

Ocupou cargos em diversas agências estatais e lecionou em instituições militares. Em 2018, seu caso perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos estabeleceu um precedente sobre direitos humanos e participação política.

Sosa havia sido presa em fevereiro de 2024, acusada de suposta conspiração — acusação rejeitada por sua defesa — e agora foi libertada após cumprir pena na prisão de El Helicoide. Autoridades americanas haviam expressado preocupação com o caso dela.

Andrés Martínez e José María Basoa

Andrés Martínez e José María Basoa, ambos nascidos no País Basco, no norte da Espanha, foram presos em setembro de 2024 em Puerto Ayacucho, no estado do Amazonas, segundo a organização Foro Penal.

Martínez e Basoa foram acusados pelo governo venezuelano de envolvimento em uma suposta operação que, segundo o Ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, visava realizar atos “terroristas”.

Isso incluiria o envio de “um grupo de mercenários” à Venezuela para assassinar Nicolás Maduro e ligações com o Centro Nacional de Inteligência, alegações negadas pelo governo espanhol, de acordo com o Foro Penal.

Os dois jovens espanhóis, de 32 e 35 anos na época da prisão, estavam viajando de férias pela América do Sul desde o final de agosto de 2024 e foram vistos pela última vez em 2 de setembro em Inírida, Colômbia, a caminho de Puerto Ayacucho, Venezuela, antes de serem detidos pelas autoridades venezuelanas, ainda segundo o Foro Penal. Suas famílias comunicaram o desaparecimento.

A prisão ocorreu em meio à escalada das tensões entre Venezuela e Espanha, após a chegada a Madri do líder da oposição, Edmundo González Urrutia, depois que foi denunciada fraude eleitoral no país sul-americano e ele reivindicou vitória nas eleições.

Miguel Moreno Dapena

Miguel Moreno Dapena, de 34 anos, é um jornalista das Ilhas Canárias que foi preso em junho de 2025, quando a Marinha venezuelana interceptou o navio de exploração marítima N35, no qual viajava e trabalhava, buscando destroços de navios da Segunda Guerra Mundial.

As autoridades venezuelanas alegaram que o navio apresentava comportamento "altamente suspeito" na zona econômica exclusiva do país, o que levou à sua prisão e subsequente detenção na Venezuela.

Segundo a Corte Interamericana de Direitos Humanos, a mãe de Moreno Dapena afirmou que, durante uma breve comunicação em julho de 2025, o filho lhe contou que havia sido acusado de "terrorismo" e "invasão de zonas de segurança venezuelanas".

Moreno, que passou mais de 200 dias detido no país sul-americano, trabalhou para veículos de comunicação como La Provincia, Expansión e Sport antes de encerrar sua carreira como jornalista.

Moreno, que passou mais de 200 dias detido no país sul-americano, trabalhou para veículos como La Provincia, Expansión e Sport antes de encerrar sua carreira como jornalista.

Ernesto Gorbe Cardona

Ernesto Gorbe Cardona é um homem de 52 anos de Valência e também foi libertado. A CNN está tentando obter mais informações sobre seu caso.

CNN em Espanhol

Anúncio full