Opinião
Crisanto Netto
A saída de Jhony Bezerra e o abalo nas estruturas do governo
A pergunta que ecoa nos corredores é direta: quem será o bombeiro desse incêndio? Aguinaldo Ribeiro ou Hugo Motta?
Por Crisanto Netto • Política e saúde
12/02/2026 às 18:14 | Atualizado em 12/02/2026 às 18:16
A Paraíba iniciou a semana sob um fato político de peso: o Governo do Estado sofre mais um abalo em suas estruturas. A saída de Jhony Bezerra, último candidato do PSB em Campina Grande e figura estratégica na Rainha da Borborema, não é apenas um movimento individual — é um sintoma.
Antes, João já havia perdido politicamente João Pessoa, com o distanciamento de Cícero Lucena. Agora, vê Campina escapar de vez do seu campo de influência direta. O cenário expõe uma fragilidade incômoda: o governador acumula derrotas nas duas maiores cidades do estado desde 2022 e, ao que parece, não conseguiu reconstruir pontes sólidas nesses territórios.
O enfraquecimento não para por aí. Nos bastidores, há dificuldades evidentes para manter nomes históricos como Ricardo Barbosa alinhados integralmente à base. Quando lideranças começam a calcular distância, é porque percebem instabilidade.
E aqui surge uma ironia política inevitável: estaria João experimentando agora o mesmo processo que um dia protagonizou contra Ricardo Coutinho, seu genitor político? A história ensina que, na política, movimentos têm consequências — e alianças desfeitas raramente saem sem custo.
Nesse cenário, Lucas Ribeiro, apontado como pré-candidato ao governo, passa a enfrentar um desafio ainda maior: consolidar um projeto eleitoral em meio a uma base que dá sinais de dispersão. Não se constrói maioria com ruídos internos nem se projeta estabilidade quando aliados demonstram inquietação. Adriano Galdino, experiente e atento aos movimentos do tabuleiro, sabe que o momento exige mais que discursos — exige articulação firme e respostas rápidas.
A pergunta que ecoa nos corredores é direta: quem será o bombeiro desse incêndio? Aguinaldo Ribeiro ou Hugo Motta? Quem terá força política suficiente para conter o desgaste e reorganizar a base antes que a sangria avance?
Uma coisa é certa: incêndios políticos não se apagam sozinhos. E vazamentos, quando ignorados, transformam-se em rupturas.
A Paraíba assiste. O tempo corre. E o tabuleiro começa a se reorganizar.
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