Brasil
358 anos de prisão: júri da maior chacina do DF pode acabar em penas históricas
Julgamento dos cinco autores da chacina que chocou o país, em 2023, começa nesta segunda-feira (13), às 9h.
Por Redação
13/04/2026 às 08:18 | Atualizado em 13/04/2026 às 08:25
Autores do crime. Da esquerda para a direita: Fabrício Canhedo, Carlomam Nogueira, Carlos Henrique da Silva, Horácio Carlos Barbosa e Gideon de Menezes. (Foto: Carla Sena/Arte Metrópoles)
O julgamento dos cinco réus apontados como autores da maior chacina da história do Distrito Federal começa na manhã desta segunda-feira (13). Somadas, as penas podem chegar a 358 anos.
Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Gideon Batista de Menezes (foto em destaque, da esquerda para a direita) vão a júri popular. A sessão começa às 9h, no Fórum de Planaltina (DF).
O quinteto responderá pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
Conforme a denúncia do Ministério Público do DF (MPDFT), os criminosos podem acumular 358 anos de pena . À época da denúncia dos criminosos, o promotor de Justiça Daniel Bernoulli estimou: “De acordo com as investigações, mais de 100 crimes foram cometidos pelos denunciados. Somadas, as penas podem variar de 211 a 385 anos, conforme o Código de Processo Penal”.
O crime aconteceu em 2023 e chocou o país à época.
Os criminosos mataram 10 pessoas da mesma família com o intuito de tomar uma chácara no Itapoã (DF), avaliada à época em R$ 2 milhões.
O crime bárbaro ocorreu em janeiro de 2023, mas Gideon e Horácio começaram a arquitetar o plano três meses antes, em outubro de 2022.
Após dias fugindo das autoridades e tentando criar narrativas falsas para o ocorrido, os criminosos foram presos preventivamente ainda em janeiro de 2023. Todos os réus aguardaram o julgamento presos.
Relembre quem são os acusados e a participação de cada um no crime:
Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano, Gideon morava na chácara das vítimas porque prestava serviços gerais à família. Ele confessou que, junto a Horácio, planejou todo o crime e alugou a casa em que manteve as vítimas escondidas antes de matá-las.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa: assim como Gideon, Horácio morava na chácara prestando serviços gerais. Horácio atuou diretamente nos assassinatos se fingindo de vítima durante um assalto fake; sequestrando vítimas; enviando mensagens a familiares das vítimas se passando por elas e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.
Carlomam dos Santos Nogueira: embrenhou-se no plano criminoso e participou diretamente dos sequestros e das execuções. É o autor do tiro na nuca que matou Marcos Antônio, autodeclarado dono da chácara. Chegou a ficar foragido após as prisões de Gideon e Horácio, mas se entregou dias depois.
Fabrício Silva Canhedo: além de atuar nos sequestros, foi responsável pela vigilância do cativeiro em que as vítimas ficaram escondidas e pela ocultação do carro de Cláudia, “segunda esposa” de Marcos Antônio.
Carlos Henrique Alves da Silva: último a ser preso, participou da rendição de vítimas. Tentou fugir pelo telhado de casa ao ser localizado por policiais.
Mais sobre o caso
Avaliado em R$ 2 milhões, um terreno no Itapoã despertou o interesse dos assassinos. O local tem cachoeira privativa, ampla área e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.
O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia a Marcos Antônio, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara é alvo de disputa judicial desde 2020, em que os verdadeiros donos tentam recuperar a área.
Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um. São eles:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia
Vítimas da barbárie. Da esquerda para a direita, de baixo para cima, Marcos Antônio, Renata Juluene, Ana Beatriz, Gabriela, Thiago, Elizamar, Rafael, Rafaela e Gabriel. (Foto: Arte / Metrópoles)
A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.
A partir daí, os criminosos começaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família.
Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.
Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída juntamente com os três filhos pequenos do casal.
Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos, e os corpos, queimados dentro de um carro.
Na sequência, os acusados mataram as demais vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde acabaram assassinadas.
Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos, e os corpos escondidos em uma cisterna.
Metrópoles
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