Menu
Opinião
Crisanto Netto

Até quando Romero será tratado como protagonista?

A insistência em seu nome nas grandes mesas de debate talvez diga menos sobre sua força e mais sobre a dificuldade de renovação de lideranças no estado.

Por Crisanto Netto • Política e saúde

02/04/2026 às 10:34

 -

(Foto: )

Em meio às movimentações políticas da Paraíba, um nome insiste em aparecer nas chamadas principais: Romero Rodrigues. Mas a pergunta que ecoa, cada vez com mais força, é simples — e incômoda: por que ainda apostam em Romero?

Ao longo dos últimos anos, Romero construiu uma trajetória marcada não apenas por cargos e influência, mas por recuos estratégicos que hoje levantam dúvidas sobre sua real disposição de liderar projetos maiores. Em 2018, quando seu nome surgiu como alternativa dentro da oposição, recuou. O movimento foi interpretado por muitos como abandono em um momento decisivo.

Já em 2022, voltou a figurar no centro das articulações. Participou de reuniões, dialogou com diferentes grupos — inclusive com o entorno do governador João Azevêdo — e, mais uma vez, quando o cenário exigia definição, optou por não avançar. Nos bastidores, consolidou-se a percepção de um político que se aproxima, negocia, mas raramente assume o risco final.

Agora, novamente, seu nome surgia em especulações envolvendo uma possível composição com Cícero Lucena. E o final já sabemos. E, diante desse cenário, se eu fosse Cícero Lucena, daria o dedo a toda essa oposição e desistiria de qualquer composição. Iria mais além: viraria as costas a todos. Se mostram ser fracos, está aí o resultado de tantas derrotas acumuladas da oposição: fraqueza.

Na política, capital eleitoral se constrói com confiança, previsibilidade e, sobretudo, coragem. E é justamente nesse ponto que Romero enfrenta suas maiores fragilidades. Há uma frase que circula com frequência nos bastidores: “a palavra faz curva”. Uma expressão dura, mas que reflete o sentimento de parte significativa do meio político, onde confiança é moeda rara — e essencial.

Romero Rodrigues parece ter optado por um caminho confortável: manter-se relevante sem se expor a riscos. No entanto, essa estratégia cobra seu preço. Ao evitar decisões mais ousadas, também abre mão de protagonismo verdadeiro. E, na política, espaço vazio não dura — alguém sempre ocupa.

A insistência em seu nome nas grandes mesas de debate talvez diga menos sobre sua força e mais sobre a dificuldade de renovação de lideranças no estado. Ainda assim, a realidade é clara: político que não assume riscos dificilmente constrói legado.

Enquanto isso não acontece, seguirá sendo o político do “quase” — sempre lembrado, raramente decisivo.

Anúncio full
Foto de Crisanto Netto

Crisanto Netto

Política e saúde

Atuação em assessoria parlamentar, cirurgião-dentista, pós-graduado em gestão de saúde e graduando em medicina. 

Leia todos os artigos