Menu
Mundo

Protestos contra regime islâmico deixa 544 mortos e mais de 10 mil pessoas detidas no Irã

País vive uma onda de manifestações em todo o país há duas semanas.

Por Redação

12/01/2026 às 07:39 | Atualizado em 13/01/2026 às 11:37

Manifestantes protestam contra regime do Irã em Teerã - Redes Sociais via Reuters

Manifestantes protestam contra regime do Irã em Teerã (Foto: Redes Sociais via Reuters)

O número de mortos nas manifestações do Irã aumentou para ao menos 544 pessoas, segundo um grupo de direitos humanos com sede nos EUA que vem monitorando o número de vítimas em meio aos protestos generalizados contra o regime no país.

O número representa a quantidade de pessoas mortas nos últimos 15 dias, incluindo oito crianças, de acordo com uma atualização da HRANA (Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos), o serviço de notícias da organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã.

Mais de 10.681 pessoas também foram transferidas para prisões após serem detidas, informou a agência.

A CNN não conseguiu verificar de forma independente os números de vítimas da HRANA. O Irã está sem internet há mais de 72 horas, depois que as autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas.

Entenda os protestos no Irã

Protestos antigoverno no Irã eclodiram pelo décimo terceiro dia consecutivo na sexta-feira (9), em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.

As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior. Organizações de direitos humanos disseram que dezenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O Líder Supremo, Ayatollah Ali Khamenei, pediu a Trump que "foque em seu próprio país" e culpou os EUA por incitarem os protestos.

Com a escalada da raiva pública e a continuidade dos protestos, a CNN reúne o que você precisa saber.

O que desencadeou os protestos?

Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.

As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.

A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.

A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.

O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.

Quão difundidos são os protestos?

As manifestações mais recentes são os maiores em escala desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia religiosa, motivou os amplos protestos "Mulher, Vida, Liberdade".

Pessoas de mais de 100 cidades participaram dos atos, que começaram há quase duas semanas.

Os protestos se espalharam para províncias iranianas até Ilam, uma região de maioria curda que faz fronteira com o Iraque, e Lorestão, ambas surgiram como pontos críticos de inquietação. Alimentadas pela divisão étnica e pobreza, multidões incendiaram as ruas e entoaram "Morte a Khamenei", desafiando diretamente Khamenei, que detém autoridade máxima sobre os assuntos religiosos e estatais do país.

A agência de notícias Fars, afiliada ao Estado iraniano, informou que 950 policiais e 60 militares da força paramilitar Basij ficaram feridos nos protestos, principalmente em confrontos com "manifestantes" nas províncias ocidentais "equipados com armas de fogo, granadas e armas".

Pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito crianças, foram mortos desde o início das manifestações, compartilhou na quinta-feira (8) a IHRNGO (ONG de Direitos Humanos do Irã), sediada na Noruega. Informou também que centenas de outros ficaram feridos e mais de 2.000 pessoas detidas.

A CNN não conseguiu verificar de forma independente os números de mortos e detidos, e veículos de notícias estatais iranianos às vezes divulgam mortes individuais sem apresentar um balanço abrangente.

Como os protestos são diferentes desta vez?

O fato de que os protestos recentes começaram com os bazaris – uma força poderosa para a mudança na história do Irã e vista como leal ao regime – é notável.

A duradoura aliança entre os bazaris e o clero no Irã fez com que os lojistas desempenhassem um papel crucial como fazedores de reis ao longo da história do Irã. Foi o apoio deles a esses mesmos clérigos que acabou ajudando a Revolução Islâmica de 1979 a ter sucesso, dando aos rebeldes uma espinha dorsal financeira que levou à queda do xá, ou monarca.

"Por mais de 100 anos de história iraniana, os bazaris têm sido atores-chave em todos os principais movimentos políticos do Irã. … Muitos observadores acreditam que os bazaris são alguns dos mais leais à República Islâmica", disse Arang Keshavarzian, professor associado de estudos do Oriente Médio e Islâmicos na Universidade de Nova York e autor de "Bazaar and State in Iran", à CNN.

Seu papel como uma grande força política tornou-se mais simbólico desde então, mas o impacto das flutuações na moeda em seus negócios foi o que os levou a desencadear os protestos que se tornaram fatais.

Além disso, as autoridades buscaram diferenciar entre manifestantes econômicos e aqueles que clamam por mudança de regime, rotulando estes últimos como "manifestantes" e "mercenários" apoiados por estrangeiros, enquanto prometem uma repressão mais dura contra eles.

CNN Brasil

Anúncio full