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Irã diz que fará 'julgamentos rápidos' e execuções de manifestantes presos em protestos contra o regime islâmico
Primeira execução, de Erfan Soltani, 26, está marcada para esta quarta-feira (14).
Por Redação
14/01/2026 às 07:20 | Atualizado em 14/01/2026 às 09:26
O chefe do Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei afirmou hoje que o país vai fazer julgamentos rápidos para aqueles que tiverem "cometido violência em manifestações".
O que aconteceu
Rapidez dos julgamentos é necessária para desmotivar novos protestos, segundo juiz. "Se demorarmos muito, não teremos o mesmo efeito. Se quisermos fazer algo, precisamos fazer rápido", afirmou.
Expectativa é de que os próximos julgamentos demorem menos de dois meses, segundo o prazo do próprio magistrado. Mais de duas mil pessoas estão presas desde dezembro, quando as manifestações começaram.
Mensagem do juiz foi publicada em um vídeo, compartilhado online pela imprensa estatal iraniana. O comunicado acontece no dia em que a execução do primeiro manifestante, um homem de 26 anos, está marcada.
Sentença de manifestante de 26 anos
Primeira execução, de Erfan Soltani, 26, está marcada para hoje. O jovem foi preso em 8 de janeiro em sua casa, após participar de protestos na cidade de Fardis, próxima à capital Teerã.
A sentença dele aconteceu após um "processo judicial rápido e obscuro", informou a ONG Iran Human Rights. Segundo a organização, a família do jovem só soube, poucos dias após a prisão, sobre o dia da execução.
Jovem não teve acesso a advogado, disse sua família ontem. Segundo os parentes de Soltani, eles só foram autorizados a visitá-lo por 10 minutos.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incitou os iranianos a manter os protestos e a ocupar instituições. "A ajuda está a caminho", disse Trump no Truth Social. "Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare".
Trump disse no domingo que o Exército dos EUA avalia medidas duras contra o Irã, após a morte de manifestantes, o que ele chamou de "linha vermelha". Ele também afirmou que líderes iranianos pediram uma reunião, mas que os EUA podem agir antes disso.
Ministro iraniano afirmou que país está pronto para a guerra e para as negociações. Abbas Araghchi, que comanda as Relações Exteriores, apontou que a diplomacia deve ser justa, "com direitos iguais e baseadas no respeito mútuo".
Balanço do governo cita milhares de mortos
Autoridade iraniana mencionou "cerca de 2.000 mortos" em primeiro reconhecimento de vítimas durante protestos. À agência Reuters, a autoridade iraniana disse que "terroristas" estavam por trás das mortes de manifestantes e do pessoal de segurança, sem detalhar mais sobre as vítimas.
ONG Human Rights Activists News Agency informa que 2.403 manifestantes teriam sido mortos. A organização tem como organizadores advogados de direitos humanos do Irã e contabiliza as vítimas com ajuda de dados locais.
Números divergem enquanto país segue em apagão digital. O Irã está há mais de cinco dias sem internet, de acordo com a NetBlocks, organização global de segurança cibernética. O relato é de que a internet fixa, os dados móveis e as chamas telefônicas estão desativadas, enquanto outros meios de comunicação também estão cada vez mais visados.
Ao menos 2.600 pessoas foram presas, segundo a Iran Human Rights. Não há, porém, detalhes de sexo e idade dos detidos.
Maiores protestos em três anos
Os protestos foram iniciados em 28 de dezembro por comerciantes do bazar de Teerã. Eles se organizaram contra a inflação galopante e o colapso do rial, moeda oficial do país, em manifestações que ganharam contornos políticos e se espalharam por diversas cidades do interior.
A República Islâmica enfrenta as maiores mobilizações dos últimos três anos. Protestos são, também, um dos principais desafios desde a sua fundação, em 1979.
É a maior onda de protestos desde o movimento "Mulheres, Vida, Liberdade" de 2022-2023. Naquela ocasião, a crise foi desencadeado pela morte sob custódia da estudante Mahsa Amini, após sua prisão pela polícia da moralidade por usar um véu considerado inapropriado.
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