Radiotelescópio instalado em Aguiar vai permitir estudo sobre origem do Universo

Equipamento será estrategicamente instalado na Serra do Urubu, em Aguiar. Instalação deve ser finalizada até março.

A construção civil da estrutura que vai abrigar o radiotelescópio Bingo será iniciada até o fim de fevereiro. A previsão é do professor Luciano Barosi, um dos coordenadores do Projeto Bingo e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O equipamento, que deve ajudar a humanidade a desvendar alguns mistérios do Universo, como a energia escura e a origem de tudo após o Big Bang, será estrategicamente instalado na Serra do Urubu, no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba.

A escolha do terreno em Aguiar levou em consideração a análise de sinais de interferência eletromagnéticas. O Bingo será formado por dois espelhos refletores, com cerca de 48 e 32 metros e as cornetas. Os sinais captados nos espelhos são traduzidos e tratados pelos receptores presentes nas cornetas e transmitidos via internet em tempo real aos pesquisadores do projeto no mundo todo.

Segundo Luciano Barosi, o início da construção civil está na dependência apenas do licenciamento ambiental e a transmissão de propriedade de um terreno particular que foi desapropriado pela prefeitura de Aguiar para doar ao projeto. “Nossa obra é em um terreno coberto de vegetação. A gente vai começar a passar o trator para fazer trilhas e fazer a supressão vegetal neste mês”, antecipou.

Os protótipos dos receptores, cornetas e outros itens relacionados a uma das cornetas já foram construídos e foram enviados para a UFCG em dezembro de 2019. A montagem do rádio telescópio ocorrerá após o término da construção civil. O cronograma prevê o início do comissionamento (funcionamento das primeiras unidades) no primeiro semestre de 2021.

Vencida as etapas burocráticas, explica Barosi, será feita a terraplanagem do terreno. Logo em seguida será construída uma estrutura metálica que, olhando de longe, lembrará o desenho de uma colmeia. São tubos de metal em formato hexagonal que formarão uma grande torre. De um lado, terá o tamanho de um prédio de cerca de sete andares, onde serão apoiados os receptores. Do outro, onde estará o refletor, a altura chegará a quase 60 metros, o tamanho de um prédio de 20 andares, mais ou menos.

Impacto

Luciano Barosi explica que o impacto do Bingo não fica apenas a cargo da construção do radiotelescópio e contempla os três pilares da UFCG ao unir pesquisa, ensino e extensão, beneficiando diretamente a Paraíba. “É um equipamento científico grande. Todo tipo de equipamento destes envolve aspectos científicos, tecnologia e desenvolvimento humano. Em ciência, temos física, astrofísica, cosmologia, processamento de sinais e telecomunicações como áreas potencialmente interessadas para fazer ciência e para produzir recursos humanos (alunos mestrado, doutorado)”, comenta.

Além disso, pontua Barosi, na parte de de tecnologia, estão sendo desenvolvidas soluções em ciência e engenharia que serão instaladas na Paraíba e muitas delas construídas no estado. “Estamos procurando envolver o máximo de atores paraibanos na construção, civil, mecânica e eletrônica. Desenvolvimento humano vem do reconhecimento do estado como polo produtor de conhecimento, visibilidade internacional, atividades com a população local na área de educação”, completou.

Bingo

Em parceria com universidades do mundo todo (mais especificamente, Brasil, Reino Unido, Suíça, Uruguai, França, África do Sul e China), a coordenação do projeto é feita pelos professores Elcio Abdalla (do Instituto de Física, IF, da USP), Carlos Alexandre Wuensche (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe) e Luciano Barosi de Lemos (UFCG). O projeto está orçado em aproximadamente R$ 18 milhões.

Bingo, acrônimo para Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations (Observações de Gás Neutro das Oscilações Acústicas Bariônicas), será o primeiro telescópio projetado para fazer as detecções das Oscilações Acústicas de Bárions (BAOs) por meio das ondas eletromagnéticas na faixa de rádio.

BAO é um método utilizado pela astrofísica para, por meio de oscilações acústicas, entender as aglomerações de galáxias e medir a expansão do Universo e a quantidade de matéria escura.

Fonte Diamante Online com Assessoria

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