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Brasil

Chuva provoca deslizamentos, derruba casas e deixa dezenas de mortos e desaparecidos em MG

Este é o fevereiro mais chuvoso da história de Juiz de Fora, com 584 mm – mais que o dobro da média esperada para o mês.

Por Redação

24/02/2026 às 22:12 | Atualizado em 25/02/2026 às 16:22

Chuva provoca deslizamentos, derruba casas e deixa dezenas de mortos e desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá (MG) - Jornal Nacional/ Reprodução

Chuva provoca deslizamentos, derruba casas e deixa dezenas de mortos e desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá (MG) (Foto: Jornal Nacional/ Reprodução)

A Zona da Mata de Minas Gerais enfrenta uma das maiores tragédias da região. A chuva da madrugada provocou deslizamentos, derrubou casas e deixou dezenas de mortos e desaparecidos nos municípios de Juiz de Fora e Ubá.

Subiu para 30 o número de mortos em consequência das chuvas na Zona da Mata mineira. Só em Juiz de Fora, pelo menos 22 mortes confirmadas. Trinta e nove pessoas seguem desaparecidas. O trabalho de buscas já dura quase 24 horas.

Juiz de Fora tem mais de 3 mil pessoas desabrigadas. As escolas suspenderam as aulas e estão recebendo essas famílias desde segunda-feira (23). A cidade tem cerca de 130 mil pessoas que vivem em áreas de risco — é a nona maior população brasileira exposta a alagamentos e deslizamentos, de acordo com o Cemaden. Um dos pontos mais críticos em Juiz de Fora neste momento é o bairro Paineiras. Por lá, as buscas continuam por desaparecidos.

Além de Juiz de Fora, decretaram calamidade pública as cidades de Ubá e Matias Barbosa.

Desde a noite de segunda-feira (23), bombeiros procuram sobreviventes. O temporal provocou deslizamento e desespero, e colocou imóveis em risco. No bairro Parque Burnier, um dos pontos mais críticos, a terra desceu o morro e atingiu doze casas. O Valdeci Coutinho procura pela filha, Sofia, de 6 anos:

“Orar a Deus que, tipo assim, ache com vida. A gente luta para isso”.

Em um local, é possível acompanhar de perto o trabalho dos bombeiros, que vão retirando aos poucos o que restou das casas, em busca de desaparecidos. Mas a chuva não dá trégua e o solo vai ficando cada vez mais encharcado, o que dificulta o trabalho de procura pelas vítimas. Bombeiros de Belo Horizonte reforçaram as buscas, que também tem um cão farejador. Nove pessoas já foram resgatadas com vida.

“A gente tem aqui uma mistura de lama, nós temos muito escombro, nós temos muitas árvores de grande bitola. Então, assim, o terreno é muito íngreme, tudo você tem que deslocar com equipamento. É um trabalho bem lento, bem desgastante, mas que a gente está muito imbuído em terminar”, afirma o tenente Henrique Fonseca, do Corpo de Bombeiros de MG.

Familiares procuraram informação.

“Tenho minha mãe, minha filha, meu neto, meu tio, minha irmã, todo mundo, a família toda. Ainda não encontrou. Perdi meu sobrinho, minha priminha”, conta a dona de casa Mônica Fabiana.

A reação é de alívio para quem encontra um parente.

“A minha tia está viva. Ela foi vítima do deslizamento e está viva”, diz.

Na região Leste da cidade, duas casas no mesmo terreno desmoronaram. Cinco pessoas ficaram soterradas. Quatro morreram, entre elas duas crianças.

"Foi muito rápido. A gente não teve muito como distinguir de onde estava vindo o barulho. Só quando a gente chegou, realmente já tinha visto que a casa tinha descido toda”, conta o técnico de instalações Emerson Gonçalves.

No Centro, a terra desceu e atingiu imóveis. Os bombeiros retiraram uma mulher com vida dos escombros. Ainda há vítimas soterradas. O rio que corta a cidade transbordou. A água invadiu casas e lojas. A enxurrada de lama arrastou veículos.

Parte da cidade está sem energia. Este é o fevereiro mais chuvoso da história de Juiz de Fora, com 584 mm – mais que o dobro da média esperada para o mês.

Outras cidades também sofreram as consequências do temporal. Em Ubá, choveu 170 mm em três horas. O rio transbordou e deixou diversas ruas alagadas. Idosos boiaram em colchões após uma casa de repouso ser invadida pela enchente. O resgate chegou a tempo. Outro imóvel desmoronou.

Em Matias Barbosa, a 20 km de Juiz de Fora, quase toda a cidade ficou submersa. Moradores foram resgatados de barco e de bote. A cidade tem 160 desalojados e 35 desabrigados.

Jornal Nacional

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