Brasil
Com câncer terminal, homem decide fazer o próprio velório em vida: ‘Quando eu morrer, eu morri. Mas até lá, eu estou vivendo’
Tiago Pitthan promoveu o encontro pra celebrar a vida ao lado de amigos e parentes.
Por Redação
02/06/2026 às 08:13
Muita vontade de viver - até o fim. Aos 47 anos, Tiago Pitthan trata um câncer em estágio terminal e decidiu lidar com a proximidade da morte de uma maneira muito particular: quer celebrar a vida ao lado das pessoas que ama e, para isso, decidiu antecipar o próprio velório.
“Desde o início da minha doença, as pessoas evitam falar comigo: câncer, morte, velório. Eu faço questão de usar essas três palavras. Quando elas não têm nome, elas assombram a gente, e eu não quero ser assombrado por nada disso. Então, falo mesmo. Eu tenho câncer, eu vou morrer”, diz Tiago.
O tempo do Tiago é hoje, como o de todos nós. Apesar de a gente insistir em esquecer disso:
“A gente não lida com a morte como uma coisa real. É diferente quando você pensa: vai acontecer com todo mundo, quando você fala: 'Opa, está acontecendo comigo'. Eu descobri que meu câncer era terminal, foi um choque. Esse momento eu encarei de frente e falei: ‘Caraca, eu vou morrer’.”
Os sintomas começaram no réveillon de 2024. Um câncer agressivo no estômago.
“A gente marcou a cirurgia. O médico entrou no quarto e falou: ‘Tiago, infelizmente a cirurgia não deu certo, porque seu câncer é metastático. Já está no intestino grosso, no delgado, e não tem o que fazer’”, conta Tiago.
Tiago faz quimioterapia e imunoterapia para tentar desacelerar o crescimento dos tumores. Mas, no fim de 2025, a doença piorou, e o tempo para o Tiago ganhou outras dimensões.
“Eu falei: beleza, pera, eu vou morrer, mas não estou morto. Eu entendi que o tempo é um dos bens mais preciosos que a gente tem. Eu tenho aproveitado ele melhor, eu tenho usado ele mais com as pessoas”, diz Tiago.
Daí veio o anúncio: um velório que não fala de morte, é uma celebração à vida. O evento aconteceu no dia 30 de maio. A mãe está assimilando a ideia aos poucos.
“Para mim é difícil, é. Vou no velório do meu filho vivo”, conta Mabel Schueler.
A festa começou com roda de samba. A primeira lista tinha 50 convidados, a segunda, 100. Até que virou: "quem quiser é só chegar". E o velório do Tiago virou um grande evento.
"Muitos pessoas me perguntam: 'Tiago, como é estar morrendo?'. Eu respondo: eu não sei. Eu estou vivendo e, quando eu morrer, eu morri, mas até lá, eu estou vivendo, não estou morrendo", concliu Tiago.
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