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Esportes

Confederação Asiática e Concacaf se unem a Uefa contra plano da Fifa de vender a Copa do Mundo

A FIFA planeja criar uma empresa separada de US$ 20 bilhões (R$ 85 bilhões) para administrar suas competições, com 20% dela destinados a investidores externos.

Por Redação

31/07/2026 às 09:07

Copa do Mundo da Fifa 2026 - William Volcov/Brazil Photo Press/Agencia O Globo

Copa do Mundo da Fifa 2026 (Foto: William Volcov/Brazil Photo Press/Agencia O Globo)

A Confederação Asiática de Futebol se junto à UEFA e à CONCACAF, confederação das seleções da América do Norte, ao afirmar que a FIFA não deve prosseguir com seus controversos planos de investimento.

Em um novo comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), a AFC afirmou que considera que a FIFA 'não consegue, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar'.

'A Copa do Mundo da FIFA é o ápice do futebol mundial e sua força deriva da participação de todas as confederações e das principais nações do futebol mundial. Qualquer proposta que ameace minar a unidade e o caráter universal da competição deve ser reconsiderada'.

Não chegou ao ponto da UEFA de ameaçar um boicote, mas exigiu que a FIFA se reformasse em vista da controvérsia.

A AFC afirmou que a questão 'expôs fragilidades fundamentais"' dentro da FIFA, em relação aos seus processos de consulta e tomada de decisão, afirmando que isso precisa ser 'resolvido agora'.

Sendo assim, solicitou à FIFA que 'realizasse uma revisão urgente de sua estrutura de governança e tomada de decisões'.

Já a CONCACAF afirmou em comunicado que rejeitou as propostas após uma reunião de emergência com suas associações membros realizada nessa quinta-feira (30).

Durante a reunião, os membros 'expressaram profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos de governança relevantes da FIFA'.

'Além disso, se questionou a necessidade de investimento de capital privado para financiar os programas FIFA Forward, novos e já existentes, após a Copa do Mundo da FIFA mais lucrativa da história', acrescentou.
Na quarta-feira (29), logo após a divulgação dos planos da FIFA, a AFC emitiu um comunicado dizendo estar 'decepcionada' por não ter sido consultada sobre a proposta.

A oposição coletiva das confederações da Ásia (47 membros), América Central e do Norte (41 membros) e Europa (55 membros) significa que 143 membros da FIFA se opõem ao plano. A FIFA precisava de 106 dos seus 211 membros para vencer a votação, número que não conseguiria ser alcançado dessa forma.

Enquanto isso, o comitê executivo da confederação africana se reúne na próxima semana para avaliar a proposta; a confederação da Oceania, o menor bloco regional, afirmou que discutirá a proposta em uma reunião no próximo mês; E a CONMEBOL, entidade que rege o futebol sul-americano, ainda não se pronunciou publicamente.

Boicote da UEFA

Em uma reunião de emergência na UEFA, todos os 55 países da entidade máxima do futebol europeu concordaram em boicotar a Copa do Mundo caso a Fifa siga adiante com a venda de parte do torneio para investidores privados.

A informação foi revelada em uma nota divulgada pela própria UEFA. Um boicote significa que a Copa do Mundo de 2030 acontecerá sem potências globais como Inglaterra, França, Espanha e Alemanha.

Competições como a Copa do Mundo Feminina de 2027, a Copa do Mundo de Clubes de 2029, os Mundiais de Clubes, além, claro, da Copa de 2030.

Esse acordo surge dois dias depois de termos revelado a existência de um plano de protesto para a retirada dos principais torneios da FIFA.

Segundo o comunicado, as federações 'rejeitam de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir a titularidade da Taça do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados'.

A UEFA acrescentou em seu comunicado que a Copa do Mundo 'não pode ser tratada como um produto de investimento', afirmando: 'É um dos maiores legados esportivos do futebol'.

'Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda'.

O texto ainda defende que, como resultado das discussões, 'nenhuma seleção nacional filiada à UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam totalmente abandonadas e que sejam oferecidas garantias vinculantes de que a FIFA jamais voltará a abrir sua estrutura de governança ou suas competições à propriedade privada'.

'Há coisas que são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E, enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda', finaliza o texto.

A FIFA planeja criar uma empresa separada de US$ 20 bilhões (R$ 85 bilhões) para administrar suas competições, com 20% dela destinados a investidores externos.

Os países europeus vinham discutindo a possibilidade de boicotar a Copa do Mundo caso Infantino levasse adiante seus planos.

Entenda mais da proposta da Fifa

A Fifa enviou uma carta oficial para todas as 211 associações que são oficialmente parte da entidade máxima do futebol, sugerindo um valor de US$ 40 milhões para apoio ao plano de venda de participações nas principais competições organizadas por ela, entre essas a Copa do Mundo.

A iniciativa, considerada controversa e que já tem resistência entre europeus e asiáticos, teria como objetivo 'abrir' a Fifa para investimentos externos, já que poderão adquirir participações na empresa e receber lucros das publicidades e vendas dos torneios.

Segundo a rede de TV britânica BBC, uma carta foi enviada para as federações com prazo de resposta para 19 de setembro. O texto é assinado pelo presidente, Gianni Infantino. As que aceitarem já receberão um montante inicial de US$ 20 milhões, disponíveis a partir de 1º de janeiro de 2027.

Esse dinheiro viria da 'liquidação de uma parte minoritária' da participação da Fifa na subsidiária que aumentaria as receitas através de investimentos privados.

A polêmica também foi grande na política interna da entidade, visto que, segundo a BBC, Infantino teria mantido o plano escondido, sem avisar a oito vice-presidentes (presidentes de federações) sobre o plano. O valor total de arrecadação previsto seria de US$ 10 bilhões.

Apesar disso, a Fifa afirma que o presidente apresentou a ideia na reunião com os membros antes da final da Copa do Mundo 2026.

A Associação Europeia de Clubes de Futebol, organização que representa mais de 850 clubes, afirmou que teria sido 'apropriado' que a Fifa os consultasse sobre 'uma proposta de tal magnitude'.

Por fim, a Fifpro, associação internacional de jogadores de futebol, pediu à Fifa que'reconsidere sua proposta sem mais demora'.

A entidade afirmou ter 'tomado nota com profunda preocupação da proposta de transformar a Copa do Mundo da FIFA e outras competições da FIFA em ativos de investimento para capital privado'.

O comunicado completa dizendo que a medida 'remodelaria fundamental e irreversivelmente os incentivos que sustentam as competições' e que era 'particularmente preocupante que um projeto desta magnitude tenha sido desenvolvido em grande parte a portas fechadas', quando tinha 'implicações potencialmente abrangentes para o bem-estar dos jogadores, o calendário de jogos internacionais e a futura governança do esporte'.

CBN

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