Senadora se declara presidente da Bolívia em sessão sem quórum

Añez chegou à Assembleia no início da tarde, acompanhada por forte escolta e protegida por oficiais das Forças Armadas.

Apesar de não ter havido quórum nem na Câmara de Deputados nem no Senado, a senadora Jeanine Áñez anunciou que assumiu o Estado de acordo com a regra constitucional sobre sucessão.

Segundo a interpretação que apresentou da Carta, "ante a renúncia do presidente do primeiro vice-presidente do Senado, o regimento da Câmara dos Senadores permite que eu assuma o comando do Estado para garantir a transição", disse.

"Assumo a Presidência do Estado", disse a senadora, poucos minutos antes das 19h (20h em Brasília). "A Bolívia precisa ser livre, pacificada e democrática. Minha prioridade é convocar eleições o mais cedo possível."

Ao final de seu pronunciamento, os senadores presentes na sala celebraram com gritos de "Bolívia, Bolívia" e entoaram o hino nacional.

A falta de quórum se deu principalmente por causa da ausência de legisladores do MAS, partido de Evo Morales. No entanto, alguns congressistas podem ter encontrado dificuldades para comparecer ao local, já que parte das vias do país está bloqueada, incluindo a estrada que liga o aeroporto a La Paz.

Pouco antes de iniciar a sessão, a líder da legenda, Betty Yañíquez, afirmou aos jornalistas que sua bancada participaria da deliberação. O partido vinha sendo acusado pela oposição de não colaborar para que a votação ocorresse.

O MAS tem dois terços em ambas as casas. "Queremos a saída constitucional para a Bolívia e estamos aqui para participar da sessão", disse. "Queremos uma saída constitucional dessa crise pelo povo e para o povo."

Añez chegou à Assembleia no início da tarde, acompanhada por forte escolta e protegida por oficiais das Forças Armadas. Ela declarou que "a decisão do legislativo sobre quem será o presidente interino que preparará a transição é uma prioridade".

A senadora agradeceu ao Exército por ter garantido os acessos pela cidade e por ter, até o momento, tranquilizado a capital boliviana.

A primeira parte da sessão tentou reunir os deputados, mas não foi possível. Segundo a equipe de comunicação da Assembleia, chegou-se a 80% da presença necessária para a votação.

Desde as 14h locais (15h em Brasília), manifestantes pró-Evo vindos do município de El Alto começaram a se aproximar, munidos da bandeira quadriculada que representa as mais de 30 nações que formam o Estado Plurinacional da Bolívia.

Apesar de gritarem, assim como no dia anterior, "agora sim, guerra civil", o ambiente era um pouco mais calmo. Havia poucos encapuzados e muitas mulheres e jovens filmando com seus celulares.

O Exército, que desde a manhã desta terça vem patrulhando a cidade, tinha tentado impedir o acesso dos manifestantes à praça diante da Assembleia. Depois, foi deixando que passassem. Um dos oficiais se encaminhou até o centro da praça, e escutou-se o hino nacional. Ele pediu que os manifestantes respeitassem a sessão legislativa e mantivessem aberto o corredor armado pelos soldados para que todos os legisladores entrassem.

O serviço de táxis está irregular na capital, com motoristas evitando a área por conta das barricadas montadas por moradores e por ataques aos carros, com pedras e outros objetos. Durante o dia, a televisão mostra a imagem de muitos carros que tentam descer até La Paz e são depredados.

A chegada das Forças Armadas amenizou um pouco a situação, mas ainda não liberou totalmente o aeroporto. Na manhã desta terça, a reportagem percorreu algumas ruas de El Alto e viu soldados em jipes com armas à mostra, além de helicópteros e policiais que tentavam dispersar os grupos que iam se reunindo.

Fonte Folhapress

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