Paraíba
Menino de 7 anos desenha o próprio albúm da Copa do Mundo, no Sertão da Paraíba: "Mãe e pai não tinham dinheiro para comprar"
Elvis Ferreira Fernandes transformou lápis, papel e criatividade em uma forma de completar o álbum da Copa do Mundo de 2026 sem figurinhas oficiais.
Por Redação
01/07/2026 às 09:16
Enquanto milhares de crianças aguardam ansiosamente a chance de abrir mais um pacote de figurinhas da Copa do Mundo de 2026, o pequeno Elvis Ferreira Fernandes, de 7 anos, encontrou uma forma diferente de viver essa tradição: ele decidiu criar a própria coleção.
Na comunidade Santana, zona rural de Santa Teresinha, no Sertão da Paraíba, a cerca de 320 km da capital João Pessoa, folhas de papel, lápis de cor, canetas e muita paciência substituíram as figurinhas que a família não conseguiu comprar. Uma a uma, Elvis desenha jogadores, escudos, símbolos da competição e até a capa do álbum oficial. Em seguida, recorta cada ilustração e cola no espaço reservado às figurinhas.
“Eu decidi fazer as figurinhas da Copa porque mãe e pai não tinham dinheiro para comprar”, disse o pequeno artista ao g1.
O resultado é um álbum único. No lugar dos cromos oficiais, há desenhos feitos à mão por uma criança que transformou a falta das figurinhas em criatividade para não deixar o sonho pela metade.
A ideia surgiu após uma conversa em família
Filho do agricultor Odair José Fernandes Costa, de 53 anos, e da boleira Edina Valéria Ferreira Costa, de 36, o menino sabia que a realidade financeira da família era limitada. Ainda assim, como muitas outras crianças apaixonadas por futebol, pediu o álbum da Copa.
A família conseguiu comprar apenas o álbum. As figurinhas, no entanto, ficaram fora do orçamento. Foi então que o menino encontrou a própria solução. A partir desse momento, as páginas em branco passaram a ser preenchidas com desenhos feitos por ele mesmo.
Cada figurinha exige atenção aos detalhes. Elvis observa imagens de jogadores na internet, desenha rostos, uniformes e escudos, colore cada ilustração, recorta o papel e cola no espaço correspondente. A coleção cresce aos poucos, mas ganha um valor que vai além do preço dos pacotes vendidos nas bancas.
Muito além dos jogadores
O talento de Elvis não aparece apenas nas páginas do álbum. Quem entra na casa da família encontra brinquedos feitos com papelão, como réplicas de celulares e uma bola de futebol improvisada com balão e fita adesiva, resultado da imaginação e do reaproveitamento de materiais.
No álbum da Copa o cuidado vai além dos jogadores. Além de desenhar atletas da Seleção Brasileira e de outras equipes que disputam o Mundial, Elvis também reproduziu elementos ligados à história da competição. Entre eles está o Fuleco, o tatu-bola mascote da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.
O menino também desenhou os mascotes do Canadá, do México e dos Estados Unidos. Apaixonado por futebol, ele conta que o jogador que mais gosta de retratar é Neymar, seu maior ídolo.
“Eu desenhei o Alisson, o Matheus Cunha, a capa do álbum. E o que eu mais desenhei foi a figurinha do Neymar. Eu desenhei um monte de vezes", relatou.
‘Não se preocupe, mamãe. Eu desenho as figurinhas’
O desenho faz parte da vida de Elvis desde muito cedo, segundo a mãe, Valéria Ferreira. Ela conta que o talento do filho foi estimulado dentro de casa, especialmente pela irmã mais velha, Mônica, de 14 anos, que também gosta de desenhar.
De acordo com Valéria, o menino costuma observar uma imagem por poucos segundos antes de reproduzi-la no papel, muitas vezes sem precisar voltar à referência.
“Ele olhava o desenho no celular e memorizava a imagem. Depois passava tudo para o papel. Desde pequenininho ele gosta de desenhar e sempre surpreendeu a gente", comentou a mãe.
Ela lembra que o pedido pelo álbum da Copa surgiu logo após o lançamento da coleção. A família conseguiu comprar o álbum, mas precisou explicar ao menino que não teria condições de arcar com os custos das figurinhas.
Foi nesse momento que veio a resposta que mais a emocionou.
“Ele disse: ‘Não se preocupe, mamãe, porque eu desenho as figurinhas e vou colando", relembrou.
A ideia, inicialmente vista como uma alternativa para contornar a falta de dinheiro, acabou revelando ainda mais o talento do menino. Primeiro vieram os desenhos de alguns jogadores. Depois, a capa do álbum. Em seguida, mascotes, escudos e outros símbolos ligados à Copa do Mundo.
Para Valéria, acompanhar esse processo desperta um sentimento que mistura orgulho e emoção.
“É difícil ver um filho da gente com um sonho que parece pequeno para muita gente, mas que para nós acaba se tornando um sonho grande. Como a gente não podia comprar as figurinhas, ele encontrou um jeito de realizar esse sonho", explicou a mãe do garoto.
Ela afirma que sempre procurou incentivar o filho a desenhar. “Ele é um menino muito inteligente, doce e sensível. A gente é uma família simples e sabe que precisa incentivar os filhos naquilo que eles gostam", afirmou.
Na tentativa de mostrar o talento de Elvis e encontrar pessoas dispostas a ajudá-lo, Valéria começou a registrar a rotina do menino nas redes sociais.
“O objetivo era mostrar o sonho dele. Quem sabe alguém pudesse ver e mandar algumas figurinhas", finalizou.
G1
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