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Paraíba

Condenado a prisão pérpetua por matar família paraibana na Espanha recebe cartas de amor e pode dar telefonemas na prisão

Prisão dele vai ser revista em 2041, enquanto tem vida reservada na Penitenciária de Aranjuez, na província de Madrid.

Por Redação

24/08/2026 às 07:46 | Atualizado em 24/08/2026 às 07:49

Julgamento de Patrick Nogueira começou nesta quarta-feira, na Espanha; ele é réu confesso do caso da Chacina de Pioz - TV Cabo Branco/Reprodução

Julgamento de Patrick Nogueira começou nesta quarta-feira, na Espanha; ele é réu confesso do caso da Chacina de Pioz (Foto: TV Cabo Branco/Reprodução)

François Patrick Nogueira Gouveia, condenado a duas prisões perpétuas e mais 25 anos de reclusão pelas mortes dos tios e dos primos pequenos, da Paraíba, na cidade de Pioz, na Espanha, recebe cartas de amor de pretendentes e tem direito a telefonemas mensais na Penitenciária de Aranjuez, na província de Madrid.

Essas informações foram repassadas por Walfran Nogueira, tio de Patrick e irmão de Marcos Nogueira, um dos assassinados na Chacina de Pioz, em 2016. Além do tio, foram mortos a esposa de Marcos, Janaína Santos Américo; e dois filhos pequenos do casal, Maria Carolina, de 4 anos, e David de 1 ano.

As vítimas foram mortas e esquartejadas, com os corpos tendo sido encontrados dentro de sacos plásticos. No mês em que a Chacina de Pioz completa uma década, o g1 relembra os principais acontecimentos e desdobramentos do caso em uma série de reportagens.

As cartas de amor

Em entrevista ao g1, Walfran Nogueira, que mora na Espanha, disse que as cartas são enviadas ao sobrinho principalmente por mulheres, devido ao caso ter recebido um enfoque midiático muito grande no país europeu e o assassino ter se tornado conhecido pelo crime que cometeu.

"Ele é uma pessoa muito conhecida aqui na Espanha por esse caso, então é um caso midiático, dá muita proteção a ele (a Justiça). Ele não se envolve com todo mundo, ele tem poucos amigos na prisão, ele é um cara que lê muito, recebe muitas cartas, muitas cartas. Muita gente quer falar com ele, muitas mulheres querem se envolver com ele. E ele não dá, ele é muito neutro", disse.

Em 2021, Patrick chegou a ser agredido por cerca de dez presos dentro do presídio em Cádiz, ficando com vários hematomas. Ele foi levado para uma hospital da região e ficou quatro dias internado, se recuperando posteriormente. Depois disso, ele foi transferido para a Penitenciária de Aranjuez, na província de Madrid. É sobre isso que Walfran fala que a Justiça "dá muita proteção a ele".

Na penitenciária, ainda segundo o tio, além das cartas, ele recebe visitas periodicamente, inclusive de familiares dele no Brasil.

Sobre eventuais visitas de Marvin Henriques Correia, investigado no Brasil por suposto auxílio psicológico a Patrick na morte do tio Marcos, por meio de mensagens, Walfran disse que isso não aconteceu, mesmo com a proximidade entre ambos na época do crime e que, se isso acontecesse, na opinião dele, seria um atestado de culpa por parte de Marvin.

"Nunca, nunca. No dia que Marvin visitar ele, está assumindo que é amigo mesmo do Patrick. E nas entrevistas ele já diz que Patrick não é mais amigo dele. Se você pegar na entrevista da série (feita na Espanha), se você ver a entrevista dele, ele fala que Patrick foi um atraso na vida dele, que ele errou de amizade, que ele não é mais amigo, que ele não entra mais em contato com Patrick", disse.

Essa série citada por Walfran foi ao ar pela primeira vez em 2023, sete anos após a chacina. Naquela ocasião, o próprio Marvin disse em entrevista que gostaria que as pessoas não se lembrassem dele pela "mancha" do passado.

Telefonemas na prisão

Também conforme o relato do tio, Walfran, Patrick Nogueira tem direito a ligações dentro da prisão na Espanha, além das visitas. Ele disse que esse é um benefício dado pela Justiça espanhola para presos como Patrick.

Em relação às visitas, uma das pessoas que, segundo o tio, recorrentemente se encontra com o filho é a mãe dele.

"Ela visita ele sempre quando pode. Sempre quando pode ela estava vindo visitar. Ela estava aqui há uma semana. Ela visita porque é mãe, não tem como. Ela é mãe, visita ele. Ele tem acesso a poder chamar (fazer ligação), porque a Justiça aqui dá o direito de fazer uma ou duas ligações por mês, entendeu? Então ele pode fazer uma ligação e é isso", disse.

O tio também comentou que, além de familiares, ter acesso a Patrick é "quase impossível", seja para jornalistas seja para curiosos em geral. Ele citou, inclusive, que alguns tablóides espanhóis, dada a repercussão do caso, e até alguns veículos internacionais de mídia, já ofereceram para Patrick dinheiro para conceder entrevistas. Ele recusou.

"Não consegue, ninguém consegue, porque ele não quer. A orientação é ele evitar falar o máximo que ele puder. A orientação é essa", ressaltou.

O g1 entrou em contato com a defesa de Patrick Nogueira sobre o atual momento do cumprimento da prisão perpétua na Espanha, mas a advogada disse que não vai comentar.

Perdão a Patrick

Patrick era um jovem amável e educado. É como Walfran definiu a personalidade do jovem antes do crime. Segundo ele, todos da família gostavam de Patrick e em nenhum momento houve qualquer tipo de pensamento relacionando o jovem com eventuais crimes.

"Patrick sempre foi uma pessoa carinhosa. Ele era uma pessoa educada, uma pessoa amável. Patrick era uma pessoa prestativa. A gente estava sentado, em família, e alguém falava: 'Ah, quero beber um copo com água, quero uma Coca-Cola'. Ele se levantava e ia na geladeira pegar, sem ninguém mandar. Ele era uma pessoa que gostava de servir. Era uma educação incrível, uma pessoa super educada", relembrou.

Essa personalidade, Walfran relembra, marcou muito ele, pois antes da ida à Espanha os dois conviviam juntos, inclusive, saíam para jogar bola, já que o tio foi um jogador de futebol profissional quando mais jovem. Os amigos do tio também gostavam da presença agradável dele.

"Eu levava Patrick para sair comigo e meus amigos, ex-jogadores de futebol, porque como eu joguei no Botafogo, de João Pessoa, e no Campinense, então eu tinha muitos amigos de futebol. E eu levava ele para o churrasco, para o futebol, para bater um papo. E ele sempre se comportou bem, nunca demonstrou nada. Meus amigos gostavam dele. Ele era muito educado com meus amigos. Meus amigos diziam que 'o teu sobrinho como é educado, como ele é cara inteligente'", ressaltou.

Walfran afirmou que quando descobriu que o assassino era Patrick, isso foi um baque e uma quebra da imagem que ele tinha do sobrinho, o que marcou muito a ele mesmo e a família.

"Quando soubemos que era Patrick, ali foi um baque, foi uma notícia terrível para nós saber que era uma [pessoa] tão querida, tão amada, uma pessoa de confiança que foi colocada dentro da casa do meu irmão. Então, para nós da família, foi mais uma apunhalada no coração, porque além de saber da morte do meu irmão, saber que foi uma pessoa tão íntima, tão amada e tão próxima", contou.

Também ao g1, Walfran disse que não guarda ódio contra Patrick mesmo após o crime, e que isso faria mal a ele mesmo. E se, não guardar ódio significa "perdão", ele perdoou o sobrinho e também Marvin, investigado por auxílio psicológico no crime.

"Então, eu não guardo esse sentimento de vingança, de raiva, de ódio. Então eu vejo isso como perdão (...). Eu não sou a favor de pagar o mal com o mal, porque violência gera violência. Então eu sou a favor do quê? Que a justiça seja feita. Isso perante à lei. Para isso existe lei", ressaltou.

Prisão perpétua

Com as penas de prisão perpétuas impostas a Patrick na Espanha, atualmente ele está preso na Penitenciária de Aranjuez, na província de Madrid. Ele foi para o presídio após ser transferido vindo da prisão de Puerto III, em Cádiz.

Na unidade, ele passou a integrar o "módulo de respeito" do estabelecimento prisional de Aranjuez, voltado para presos que cumprem normas rígidas de convivência.

A prisão perpétua é a punição mais grave existente na Espanha, e pode ser revista a cada 25 anos. A próxima revisão da pena do assassino será em 2041.

Relembre o crime: Paraibano acusado de ajudar em morte de família na Espanha aguarda julgamento dez anos após o crime

G1

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