Depois de 40 anos, núcleo do Projeto Sertanejo se reúne em Coremas e relembra a passagem de Luiz Gonzaga

Os participantes puderam relembrar a passagem do Rei do Baião, Luiz Gonzaga ao Núcleo.

(O reencontro)

Após mais de 40 anos, a cidade de Coremas, no Sertão da Paraíba, foi sede do reencontro dos servidores do Núcleo do Projeto Sertanejo, que se deslocaram de várias cidades do Nordeste para o evento que aconteceu na primeira quinzena de maio de 2022 e relembrou o sucesso e as passagens marcantes na região.   

Os participantes puderam relembrar a passagem do Rei do Baião, Luiz Gonzaga ao Núcleo, durante uma visita do Ministro Mário Andreazza em março de 1979, quando naquela época eles registraram uma fotografia do evento mais que curioso.

(40 anos depois)

Saiba mais sobre o Projeto Sertanejo

O Núcleo do Projeto Sertanejo de Coremas foi instalado no dia 15 de agosto de 1978, aproveitando as instalações do acampamento do DNOCS dessa cidade, através do convênio Minter/SUDENE/DNOCS, no governo militar de Ernesto Geisel, através do decreto 78.299, de 23 de agosto de 1976.

Um dos objetivos importantes do Projeto Sertanejo era acompanhar o homem do campo desde o levantamento topográfico do seu imóvel, a sua produção agropecuária e comercialização dos produtos resultantes do trabalho, dando condições excepcionais, com prazo de pagamento de até 20 anos aos juros de dois a sete por cento, para investimentos e custeio, respectivamente.

Um ano depois, o Núcleo de Coremas foi classificado como um dos Núcleos mais atuantes em elaboração de projetos. Tinha como Gerente, Osvaldo Barros Mangueira e cinco coordenadores: Laércio Peixoto do Amaral, Wilton Soares Calazans, Francisco Mariano da Silva, Verneck Abrantes de Sousa e Sebastião Rodrigues Morais, compondo as equipes de Comunicação, Apoio Administrativo, Elaboração de Projetos, Assistência Técnica e Extensão Rural (equipe da EMATER) e Construções Rurais. O quadro de funcionários do Núcleo estava composto de cinquenta e quatro funcionários, distribuídos da seguinte forma: Um gerente; um administrador; dois engenheiros civis; um engenheiro de pesca; quatro agrônomos; um economista; um comunicador social; um técnico em contabilidade; três agentes administrativos; duas assistentes sociais; sete motoristas; cinco datilógrafas; um zootecnista; dez técnicos agrícolas; três topógrafos; três desenhistas; dois fiscais de açudes; um desenhista artístico; um veterinário; três vigias e um contínuo.

Dessa forma, por ter conseguido elaborar no período de um ano 204 projetos em benefício dos agricultores em suas diversas cidades assistidas pelo Projeto, ele foi escolhido para ser visitado pelo Ministro do Interior, Cel. Mário David Andreazza, no dia 29 de março de 1979. E para surpresa de todos, junto com Mário Andreazza chegou também o nosso cantor maior, Luiz Gonzaga.

Foi algo memorável, a partir de como se deu a chegada deles em um pequeno avião com hélice, depois de uma chuva de 120 mm que tinha ocorrido no dia anterior, alagando todo o município. E devidas as condições do solo, curioso perguntei ao piloto do avião como ele teve a coragem de aterrissar em um “campo de aviação” de terra batida enlameada. Ele respondeu que na decolagem do avião em Recife tinha informação da ocorrência da grande chuva, mas, não tinha maiores detalhes do campo de pouso, era uma tentativa que deveria ser feita, do contrário, retornaria para a capital de Pernambuco. Falou também que, entre Recife e Coremas, o ministro Mário Andreazza e Luiz Gonzaga tomaram um litro de whisky, em meio a muitas conversas, piadas, risadas intercaladas com o canto e o som da sanfona branca de Seu Luiz.

Então, ao chegar no seu destino, o piloto deu várias voltas por cima da cidade de Coremas, do grande açude Estevão Marinho/Mãe Dágua, vendo a multidão no acampamento do DNOCS esperando a comitiva. Depois deu alguns voos rasantes junto ao campo de avião, momento em que o piloto falou que as condições não pareciam boas e, ao que parece, tocado pelo efeito do whisky, o ministro mandou que mesmo assim o piloto aterrissasse, o que foi feito com grande perícia e sucesso.

Ao chegarem no Núcleo do Projeto Sertanejo, o ministro foi recebido com grande admiração por se dispor a aterrissar naquelas condições. Ali estava uma segurança atenta, várias autoridades, muitos agricultores, jovens estudantes, senhoritas e senhoras, prefeitos regionais, deputados estaduais, vereadores, o juiz, o padre, o delegado compondo a multidão curiosa. Em meio a tudo isso, de repente, também desceu do carro, Luiz Gonzaga, o que fez muita gente correr para o seu encontro, ficando o ministro com poucas pessoas próximas dele, instante em que Mário Andreazza brincou dizendo: “Seu Luiz, a autoridade aqui sou eu”. Muitos riram e descontraído, Luiz Gonzaga, que  naquele momento parecendo  já conhecer todo mundo; fez brincadeira com um, colocou apelido em outro, contou piada, tirou muitas fotografias a pedidos, conversou sobre as chuvas do inverno, deu entrevista para um serviço de difusora local.

Depois do cerimonial e formalidades do ministro Mario Andreazza com as autoridades, Seu Luiz pegou a sanfona branca, botou o chapéu de couro e cantou “A Volta da Asa Branca”, logo em seguida emendou a música “Projeto Sertanejo”, sendo muito aplaudido. Depois de uns comes e bebes, ele entrou no carro junto com o ministro com destino ao campo de aviação, decolaram, sobrevoaram duas vezes a cidade e seguiram para o Recife.

Foi memorável, inesquecível, aquele 29 de março de 1979, valendo o registro fotográfico nos degraus do Escritório do Projeto Sertanejo de Coremas-PB. 

Texto escrito pelo membro Verneck Abrantes de Sousa

DiamanteOnline

Comentários

Aviso: Todo e qualquer comentário publicado na Internet através do Diamante Online, não reflete a opinião deste Portal.