Vale do Piancó
Último Super El Niño provocou grave seca no Vale do Piancó entre 2015 e 2016
Efeitos do El Niño 2016 fez o açude Estevão Marinho em Coremas ficar com apenas 2,5% de sua capacidade, além de secar completamente o Açude Cachoeira dos Alves, em Itaporanga.
Por Milton Jr.
26/08/2026 às 17:26 | Atualizado em 26/08/2026 às 17:44
O último episódio de Super El Niño registrado provocou uma das mais severas crises hídricas já enfrentadas pelo semiárido nordestino, com impactos significativos no Vale do Piancó, na Paraíba, entre os anos de 2015 e 2016.
Durante o período, a região enfrentou uma grave escassez de chuvas, que provocou a redução drástica do volume de diversos açudes e reservatórios. Em vários municípios do Vale do Piancó, os mananciais chegaram a níveis críticos, comprometendo o abastecimento da população e aumentando a preocupação com a segurança hídrica.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu no açude Estêvão Marinho, em Coremas, um dos principais reservatórios da Paraíba. O manancial apresentou forte redução em seu volume armazenado e chegou próximo ao chamado volume morto como apenas 2,5 % de sua capacidade total. Outro açude que secou foi o açude Cachoeira dos Alves que terminou aquele período completamente seco agravando a situação do abastecimento regional.
O fenômeno climático também esteve associado a temperaturas excepcionalmente elevadas no Oceano Pacífico. Durante o pico do episódio de El Niño de 2015/2016, as anomalias de temperatura da superfície do mar chegaram a níveis superiores a 2 °C, caracterizando um dos eventos mais intensos já observados.
Agora, diante das projeções para um possível novo episódio de El Niño em 2026, cresce a preocupação com os efeitos que o fenômeno poderá provocar no Nordeste. Há estimativas que apontam para anomalias muito elevadas de temperatura no Pacífico durante os meses de maior intensidade, o que poderia representar um evento de grande magnitude.
Apesar disso, especialistas ressaltam que o El Niño, isoladamente, não determina a ocorrência de uma seca no Nordeste. O regime de chuvas da região também depende de outros fatores atmosféricos e oceânicos, especialmente das condições de temperatura do Oceano Atlântico e do comportamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), um dos principais sistemas responsáveis pelas chuvas no semiárido nordestino.
Por isso, mesmo diante de alertas para um possível período de estiagem, a intensidade da próxima estação chuvosa dependerá da combinação de diferentes fatores climáticos.
A experiência vivida pelo Vale do Piancó entre 2015 e 2017, no entanto, permanece como um alerta. Caso condições oceânicas e atmosféricas desfavoráveis voltem a se combinar, a região poderá enfrentar novamente desafios importantes relacionados à disponibilidade de água.
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