Brasil
Influencer é investigado por mensagens de ódio e apologia ao nazismo
O perfil de Vicky Vanilla não está mais ativo nas redes sociais, em meio a processo que investiga apologia ao nazismo e discriminação.
Por Redação
04/02/2026 às 10:40
O influenciador digital Victor Stavale, conhecido como Vicky Vanilla, de São Paulo, é alvo de uma ação civil pública movida pela DPPE (Defensoria Pública de Pernambuco), que o acusa de fazer apologia ao nazismo e incitar discriminação racial, religiosa e política.
O processo, em tramitação na 6ª Vara Cível da Capital, solicita o bloqueio de perfis e a remoção de conteúdos considerados ilegais. Nesta segunda-feira (2), a conta de Stavale no Instagram já não está mais disponível, segundo o defensor público responsável pelo caso, ouvido pela CNN Brasil.
Protocolado em setembro de 2025, o processo também pede à Justiça, além do bloqueio dos perfis do influenciador e a remoção dos conteúdos considerados ilegais, a condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 8,8 milhões.
Segundo a petição, assinada pelo defensor público Kleyner Arley, Stavale utilizou suas redes sociais para exaltar figuras consideradas “genocidas da história da humanidade”, como Adolf Hitler e Heinrich Himmler, veicular mensagens discriminatórias contra negros e judeus e estimular perseguições contra esses grupos.
O influenciador, ex-satanista, contava com cerca de 90 mil seguidores no Instagram e se apresenta como nômade digital e católico tradicionalista.
Em outro excerto de um vídeo para as redes sociais, Stavale comete discriminação racial, se referindo ao deputado estadual do Paraná Renato Freitas (PT-PR) como "chimpas", aparentemente sugerindo que o parlamentar é um "chimpanzé".
“Esse conteúdo não atinge apenas uma pessoa isoladamente. Ele impacta toda a sociedade, especialmente crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis, ao estimular o ódio e violar valores básicos de dignidade e respeito, o que justifica a atuação da Defensoria Pública na defesa de direitos coletivos”, afirmou Kleyner Arley.
A DPPE sustenta que a ação está amparada na Lei da Ação Civil Pública, que permite à instituição defender direitos difusos e coletivos, e na Constituição Federal, que repudia o racismo em todas as suas formas. Segundo o defensor, as publicações ultrapassam os limites da liberdade de expressão.
“A liberdade de expressão não é absoluta e encontra limites quando viola direitos fundamentais de terceiros, promove discriminação, ódio ou banalização de violências, deixando de ser manifestação de pensamento para se tornar conduta ilícita punível nas esferas penal e civil”, destacou o defensor.
Arley informou à CNN, nesta segunda-feira, que reuniu provas após assistir a vídeos de outros influenciadores, como Nando Moura e Arthur Petry, que registraram as atitudes de Vicky Vanilla, e que pretende apresentar ainda mais material ao longo do processo.
CNN Brasil