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Brasil

Irmão do goleiro de Cabo Verde mora em Recife e trabalha como professor de matemática

Kleidir Dias mora em Camaragibe, região metropolitana do Recife, cobra R$ 80 por mês em aulas particulares e não vê o irmão há quatro anos: "Para o mundo, ele é Vozinha, para nós é o Josimar"

Por Redação

21/06/2026 às 07:53 | Atualizado em 21/06/2026 às 07:58

Kleidir Dias, irmão do goleiro Vozinha, de Cabo Verde, que mora no Recife — Foto: Arquivo pessoal

As defesas do goleiro Vozinha, que ajudaram Cabo Verde a conseguir um histórico empate por 0 a 0 com a Espanha, na primeira partida do país em uma Copa do Mundo, repercutiram em todo o planeta. E a projeção se refletiu, rapidamente, nas redes sociais: sua conta no Instagram passou de 46 mil para mais de 11 milhões de seguidores.

A atuação também mexeu, em especial, com a emoção de quem conhece o goleiro em sua intimidade, apesar do longo tempo afastado e da distância. Kleidir Dias, um dos irmãos de Vozinha, mora há quatro anos em Camaragibe, cidade da região metropolitana do Recife, onde dá aulas particulares de matemática para crianças e adolescentes cobrando de R$ 80 a R$ 90 por mês.

Desde que chegou ao Brasil, Kleidir não conseguiu estar pessoalmente com Vozinha, se comunicando apenas por videochamadas e mensagens. A primeira após a partida que alçou o irmão ao estrelato foi carregada de sentimentos. De orgulho, saudade e resiliência.

- Falei apenas que tudo o que ele tinha passado tinha um propósito - contou Kleidir, que veio ao Brasil estudar Teologia e escolheu o Recife porque já namorava com uma pernambucana, com a qual acabou casando.

Se hoje o irmão mais velho é uma celebridade do mundo do futebol, Kleidir, que é três anos mais novo, prefere se manter longe dos holofotes. Inclusive, 24 horas após o feito do irmão na Copa do Mundo, disse que teve um dia normal de trabalho. Tanto que pediu para conversar com o ge só à noite, quando "não estivesse mais ocupado".

- Quem tem que aparecer é ele, não eu. Apenas algumas crianças vieram falar comigo dizendo que conheciam o Vozinha, e eu disse que era irmão dele.

Ainda assim, Kleidir reforça o lado humilde de Vozinha e da família. Todos são adeptos da mentalidade "Morabeza", palavra do crioulo cabo-verdiano que significa simplicidade, tranquilidade e acolhimento do povo do país.

- Em Cabo Verde não tem isso de celebridade. Após a Copa, quando ele for para casa visitar a família, vai haver festa por um ou dois dias e depois ele vai tomar banho em Laginha (uma das principais praias do país), colocar um chinelo, um short, uma camiseta e ficar com a família.
Vivemos todos na simplicidade, sem ostentação, sem fama, sem vaidade - descreve Kleidir.

Apesar de não se encontrarem pessoalmente nos últimos quatro anos, Kleidir faz questão de enfatizar a força dos laços com o irmão, de quem garante ainda ser muito próximo. E lembrou da infância na casa da avó, Maria Senhorinha dos Santos, de onde veio o apelido que "rebatizou" Josimar em Vozinha.

- Meu irmão sempre teve fome de futebol. Eu também jogava, mas nunca levei muito a sério. Não tinha esse talento. Quando tínhamos oportunidade estávamos sempre jogando em qualquer espaço. É como no Brasil, jogávamos na rua, com quatro pedras no chão formando as balizas. Na casa da minha avó, jogávamos nos quartos, cada um em uma cama. Jogávamos a bola na parede e depois chutávamos. E ele sempre agarrava.
Ele sempre quis ser jogador de futebol. Via isso nos olhos dele. Ele chegou onde chegou com muita dedicação e esforço. As barreiras que foram colocadas no caminho serviram para ele ultrapassar.

E quando será que os dois irmãos irão finalmente se reencontrar pessoalmente? Segundo Kleidir, o mais rápido possível. De acordo com dados da Fifa, há mais cabo-verdianos morando fora do país do que os 530 mil habitantes que residem nas dez ilhas que formam o arquipélago.

- A emoção será a de abraçar aquele que nos pertence. Preferimos focar mais no pessoal e não nas conquistas. Para o mundo, ele é o Vozinha, para nós é o Josimar. A família para nós sempre será um lugar de aconchego e acolhimento. A saudade faz parte da essência do cabo-verdiano porque a maior parte da população mora fora do país. Mas todos querem voltar um dia.

Enquanto esse dia não chega, Kleidir terá pelo menos mais duas oportunidades de ver o irmão em ação na Copa. No próximo domingo (21), contra o Uruguai, e no dia 26, contra a Arábia Saudita, na última rodada da fase de grupos. Mas até onde Cabo Verde pode chegar nesse Mundial? O irmão do goleiro da seleção responde. Com mais um lema do país.

- A gente aprende sempre que tem que dar um passo de cada vez. Todo mundo que avançar, mas o próximo passo é o Uruguai, uma das melhores seleções da América do Sul. Vamos degrau a degrau. Com o mesmo respeito, mas com o mesmo propósito de deixar o povo cabo-verdiano alegre e orgulhoso com os Tubarões Azuis - finalizou.

GE

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