Clima
Associar o El Niño como principal causador da seca no Nordeste é um grande erro, diz meteorologista
O meteorologista criticou a associação direta entre o El Niño e a ocorrência de secas no Nordeste.
Por Redação
04/07/2026 às 14:14 | Atualizado em 04/07/2026 às 14:19
O meteorologista Rodrigo Cézar Limeira afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que usar apenas o fenômeno El Niño como base para prever a quantidade de chuvas no Nordeste é um grande erro.
De acordo com Rodrigo, os principais fatores que influenciam a qualidade das chuvas no semiárido nordestino são as temperaturas da superfície do mar no Atlântico Sul, próximo à costa leste do Nordeste, e no Atlântico Norte.
"Eu analiso fatores para traçar um cenário para a quadra chuvosa da nossa região, que dura de fevereiro a maio e é condicionada, principalmente, pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Ainda é muito cedo para fazer previsões. Os dois principais fatores são justamente o Atlântico Sul, na costa leste do Nordeste, e o Atlântico Norte. A temperatura das águas superficiais dessas duas bacias oceânicas é, disparadamente, o fator mais importante para definir a qualidade da estação chuvosa da nossa região", explicou.»
O meteorologista também criticou a associação direta entre o El Niño e a ocorrência de secas no Nordeste.
"Estão associando o El Niño, que deve se configurar entre julho e agosto, como causador de seca na nossa região. Isso não é correto. O El Niño não é, por si só, causador de seca no Nordeste, assim como a La Niña não garante chuvas acima da média. Esses fenômenos não são conclusivos para determinar anos secos ou chuvosos. Continuaremos dependentes, principalmente, das condições térmicas do Atlântico Sul, na costa leste do Nordeste, e do Atlântico Norte. Qualquer previsão feita agora para a quadra chuvosa de fevereiro a maio do próximo ano é precipitada e apenas gera alarme, além de rotular, de forma equivocada, o El Niño como o grande vilão das secas na nossa região", afirmou.
Para reforçar seu argumento, Rodrigo citou exemplos recentes.
"Em 2024 tivemos um El Niño muito forte e, mesmo assim, choveu bem na região. Em 2019 também houve um El Niño durante o período de fevereiro a maio, e as chuvas foram satisfatórias."
Apesar da influência do El Niño sobre o clima global, especialistas destacam que a intensidade das chuvas no Norte e Nordeste do Brasil depende da interação de diversos fatores climáticos, especialmente das condições do Oceano Atlântico e do posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
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