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CBF estuda tirar espaço da Copinha e criar novo torneio para a base

Há convites feitos pela Federação Paulista: ela distribui as vagas pelos estados e delega às outras federações os critérios para participação de times de fora.

Por Redação

21/08/2026 às 14:35

A CBF estuda mudanças no calendário da base e uma delas pode ser tirar espaço da Copinha. O tradicional torneio é organizado pela Federação Paulista e ocupa o mês de janeiro quase todo — tendo a final sempre no dia 25, aniversário de São Paulo.

Atualmente, a CBF apoia a competição e deixa o espaço aberto no calendário da base para que ela aconteça. Mas a discussão na entidade caminha para uma mudança em relação a isso, culminando também com a criação de uma nova competição.

De onde vem a proposta?

O debate faz parte das conversas entre membros de peso do grupo de trabalho sobre a base do futebol brasileiro — mas ainda não foi levado a um foro mais amplo.

O UOL apurou que a CBF está ciente e disposta a avançar com a ideia. Ela não irá recomendar (e nem tem poderes para isso) o fim do torneio, mas montaria um calendário como se a Copinha não estivesse ali.

O efeito disso? Usar o espaço no calendário para outras finalidades: ter um período mais amplo e definido de férias e pré-temporada, espaçar mais a tabela de torneios como Brasileirão Sub-20 e também acomodar a nova competição de base.

Qual a crítica?

A ala que critica a Copinha nos bastidores menciona, entre outros pontos, questões relacionadas ao critério de participação. Não há no regulamento da competição uma definição direta sobre participação.

Há convites feitos pela Federação Paulista: ela distribui as vagas pelos estados e delega às outras federações os critérios para participação de times de fora.

Mesmo com convite em mãos, a participação na Copinha não é obrigatória na estrutura da base. O Flamengo, por exemplo, ficou fora este ano, já que usou o time sub-20 para as rodadas iniciais do Carioca, enquanto o grupo principal estava de férias após o Intercontinental da Fifa.

Tratada como uma vitrine histórica para jogadores, a disputa conta com 128 clubes. A edição de 2026 envolveu 23 estreantes. A Federação Paulista costuma fazer reuniões em busca de melhorias para o torneio.

O dinheiro da competição vem da venda de direitos de transmissão, patrocínios e parcerias com prefeituras do estado, que custeiam logística e acomodação.

E o novo torneio?

Ao mesmo tempo que a CBF se coloca disposta em tirar o apoio à Copinha, a entidade estuda a criação de um novo torneio.

A proposta que tem sido amadurecida no âmbito do grupo de trabalho será encaminhada à CBF e bate na tecla de que é preciso montar uma competição nacional para a base que se espalhe mais pelo país.

A distribuição de vagas seria feita com base em um ranking atualizado anualmente, sem a política de convites.

O modelo de participação para os clubes envolveria o desempenho em competições estaduais e nacionais sub-20, demandando também requisitos de infraestrutura, qualificação do corpo técnico e o certificado de clube formador.

A ideia também é regionalizar as sedes das partidas. No cenário da Copinha, até pela natureza da organização, as partidas acontecem em cidades do estado de São Paulo.

Efeito político

Formalmente, o grupo de trabalho da base começou em março e mira ajustes na organização das categorias de formação do país. Isso envolve calendário e a organização dos torneios.

A ideia de impactar na Copinha inicialmente não estava no escopo. E mesmo na CBF, há o reconhecimento de que a Copinha é um torneio tradicional e charmoso. Mas a proposta ganhou força na entidade.

O contexto pode trazer desconforto político com a Federação Paulista, com quem a CBF tem boas relações, apesar de o presidente Reinaldo Carneiro Bastos não ter apoiado a candidatura de Samir Xaud. Inclusive, quem transita pelo campo político indica que esse episódio foi superado.

Samir esteve no evento de lançamento da edição passada da Copinha. E chegou a dizer que "todos os meninos do Brasil carregam o sonho" de disputar o torneio "porque a Copinha tem esse espírito democrático de reunir jovens em todos os cantos do país".

O torneio abriu o leque em relação à idade de jogadores. No regulamento mais recente, pensado para 2026, foi permitida a inscrição de jogadores nascidos de 2005 a 2010 — ou seja, até 21 anos.

A Federação Paulista usa para a Copinha o slogan de "maior competição de base do planeta". Mas as discussões nos bastidores podem trazer um novo cenário.

Uol

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