Esportes
Em meio a dívida bilionária e projeto de SAF, Corinthians comemora 116 anos de fundação
O clube foi fundado por trabalhadores em 1910 e, desde os primeiros anos, carregou a imagem de ser o time do povo.
Por Redação
01/09/2026 às 10:55 | Atualizado em 01/09/2026 às 11:05
O Sport Club Corinthians Paulista completa nesta terça-feira (1º) 116 anos de história. Fundado em 1º de setembro de 1910, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, o clube nasceu pelas mãos de operários e construiu, ao longo de mais de um século, uma das maiores torcidas e histórias do futebol brasileiro.
A celebração, porém, acontece em um momento de forte turbulência financeira e administrativa. O Corinthians convive com um endividamento que já ultrapassa a casa dos R$ 2,8 bilhões, segundo informações divulgadas em 2026, enquanto busca alternativas para reorganizar suas finanças e manter a competitividade esportiva.
SAF surge como possível caminho
Em meio à crise, ganhou força o debate sobre a transformação do futebol corintiano em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Um dos principais projetos em discussão é o da SAFiel, que propõe captar bilhões de reais para reestruturar o clube.
A proposta prevê a possibilidade de levantar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, com recursos destinados à recuperação financeira do Corinthians e à solução de compromissos importantes, incluindo a dívida relacionada à Neo Química Arena.
O projeto também apresenta uma característica diferente de algumas SAFs tradicionais: a participação dos próprios torcedores na estrutura acionária. A SAFiel defende um modelo no qual os corintianos poderiam se tornar acionistas, dentro de determinadas regras.
Apesar das negociações, não há ainda uma transformação definitiva do Corinthians em SAF. Nos últimos dias, o clube passou a cobrar respostas da SAFiel sobre questões financeiras, jurídicas e metodológicas antes de decidir se avançará com o projeto.
Arena é um dos principais desafios
Um dos pontos centrais das discussões é a dívida relacionada à Neo Química Arena. O presidente Osmar Stabile colocou a apresentação dos recursos necessários para quitar esse compromisso como uma condição importante para avançar nas conversas com a SAFiel.
O grupo interessado afirmou que pretende antecipar parte dos aportes previstos para viabilizar os recursos destinados à arena. Mesmo assim, o processo ainda depende de análise e aprovação dentro das instâncias do próprio Corinthians.
Uma história construída pelo povo
Se o presente é marcado por incertezas, o passado explica o tamanho do Corinthians. O clube foi fundado por trabalhadores em 1910 e, desde os primeiros anos, carregou a imagem de ser um clube popular.
Ao longo de 116 anos, o Timão conquistou sete Campeonatos Brasileiros, quatro Copas do Brasil, duas Libertadores, dois Mundiais de Clubes, duas Supercopas do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e 31 Campeonatos Paulistas, entre outros títulos.
O clube também atravessou períodos históricos marcantes, como a Democracia Corinthiana, movimento que transformou o futebol em uma importante plataforma de participação política e social durante a década de 1980.
Entre a tradição e o futuro
O aniversário de 116 anos coloca o Corinthians diante de um contraste: de um lado, uma história centenária, uma torcida gigantesca e uma das marcas mais fortes do futebol brasileiro; do outro, uma crise financeira que exige decisões capazes de determinar os rumos do clube nas próximas décadas.
A eventual criação de uma SAF poderá representar uma mudança profunda na estrutura administrativa do Corinthians. Ao mesmo tempo, a resistência de parte da comunidade corintiana ao modelo mostra que a discussão envolve não apenas dinheiro, mas também identidade, patrimônio, participação dos torcedores e o futuro do clube.
Neste 1º de setembro, portanto, o Corinthians comemora seus 116 anos olhando simultaneamente para o passado e para o futuro: celebra a história construída desde aquele encontro de operários sob a luz de um lampião, enquanto enfrenta uma das maiores encruzilhadas financeiras de sua trajetória.
Da fundação humilde no Bom Retiro à gigantesca estrutura atual, o desafio agora é encontrar uma saída para a crise sem perder aquilo que fez do Corinthians o “Time do Povo”.
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