Mundo
Invasão russa na Ucrânia completa 4 anos
Conflito de desgaste expõe resiliência russa, impulsiona tecnologia de drones e provoca a maior expansão da OTAN em décadas, sem um fim previsto para a crise.
Por Redação
24/02/2026 às 12:03 | Atualizado em 24/02/2026 às 13:41
Nesta terça-feira (24), a invasão da Ucrânia pela Rússia completa quatro anos, consolidando não apenas uma tragédia humanitária, mas uma profunda e duradoura transformação no cenário geopolítico, militar e econômico global. O que começou como uma expectativa de ofensiva rápida por parte de Moscou evoluiu para uma brutal guerra de desgaste, cujas ondas de choque continuam a redefinir alianças e estratégias em todo o planeta.
O custo humano e material para a Ucrânia é devastador. Com milhares de mortos entre civis e militares, o país assistiu a um êxodo em massa, principalmente de mulheres e crianças, e viu sua economia encolher mais de 20%. Segundo estimativa do Banco Mundial, a reconstrução da nação, especialmente da infraestrutura energética e do setor habitacional, pode custar cerca de 588 bilhões de dólares ao longo de uma década — um valor que subiu 12% apenas no último ano devido à intensificação dos ataques russos.
Do outro lado do fronte, a Rússia demonstrou uma resiliência econômica que poucos analistas ocidentais previam em 2022. Sob um pesado regime de sanções, o Kremlin reorganizou sua economia: redirecionou as exportações de petróleo e gás para mercados asiáticos, como China e Índia, e impulsionou maciçamente a produção de sua indústria de defesa. Com elevado gasto estatal, o governo de Vladimir Putin manteve a estabilidade macroeconômica e, politicamente, o presidente se fortaleceu internamente, reforçando um discurso de confronto direto contra a OTAN e os Estados Unidos, tratando o conflito como uma disputa estratégica existencial. Nas grandes cidades russas, a vida segue com aparente normalidade, apesar da inflação mais alta e da ausência de marcas ocidentais.
Militarmente, o campo de batalha ucraniano tornou-se um laboratório para o futuro da guerra. O uso massivo e inovador de drones, tanto para reconhecimento quanto para ataques, redefiniu táticas de combate e forçou planejadores militares em todo o mundo a repensar seus investimentos e doutrinas. A guerra de movimento deu lugar a uma luta estática em trincheiras, remetendo à Primeira Guerra Mundial, mas com a tecnologia do século XXI.
Geopoliticamente, o impacto é igualmente profundo. A agressão russa provocou o efeito contrário ao que Putin talvez desejasse: a OTAN não apenas se mostrou unida, como se expandiu com a adesão de nações historicamente neutras. Nações europeias, como Alemanha e França, despertaram para a necessidade de aumentar drasticamente seus gastos com defesa, reduzindo ao mesmo tempo sua dependência energética da Rússia. Em resposta a esse fortalecimento do bloco ocidental, Moscou aprofundou seus laços com potências não alinhadas, acelerando a formação de um eixo alternativo no equilíbrio de poder global.
A justificativa russa para a invasão sempre esteve atrelada à expansão da OTAN sobre o antigo domínio soviético após a queda da União Soviética. Para o Kremlin, a possibilidade de a Ucrânia — nação com laços históricos e étnicos com a Rússia — se juntar à aliança militar ocidental foi a "gota d'água". Quatro anos depois, com tentativas de paz que avançam e recuam, o mundo ainda assiste a um conflito sem um fim previsível, mas cujas consequências já estão permanentemente gravadas na história.
Band.com
Tópicos
Mais Notícias em Mundo
Crime organizado
Morte de traficante mais procurado do México causa onda de violência com dezenas de mortos no país
23/02/2026Redes sociais
Presidente da Coreia do Sul publica vídeo feito por IA em que aparece abraçando Lula na infância: "Somos irmãos"
Líder sul-coreano destacou origem operária e comparou trajetória à do petista.
23/02/2026