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Mulher é condenada a morte por enforcamento por protestos contra regime islâmico no Irã
O Irã já executou sete pessoas ligadas a esses protestos.
Por Redação
15/04/2026 às 19:23 | Atualizado em 15/04/2026 às 22:18
Mohammadreza Majidi Asl e sua esposa, Bita Hemmati (Foto: Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI))
O Irã anunciou nesta terça-feira (14) que mais quatro manifestantes foram condenados à morte por causa dos protestos ocorridos no país no início do ano.
Um deles é Bita Hemmati, primeira mulher que será enforcada por sua participação no levante popular contra o regime iraniano.
Bita, que teve a condenação anunciada junto com a do marido, Mohammadreza Majidi Asl, e outros dois homens, que moravam no mesmo prédio do casal, na capital iraniana, Teerã, é acusada de inúmeros crimes:
- Uso de explosivos e armas
- Agressão às forças que patrulhavam o local,
- Arremesso de objetos, incluindo garrafas, blocos de concreto e materiais
- Incendiários, dos telhados de edifícios
- Destruição de propriedade pública
- Participação em manifestações de protesto
- Entoação de slogans de protesto
- Perturbação da segurança nacional
- Conexão com grupos hostis
- Envio de conteúdo com o objetivo de minar a segurança
Em comunicado à imprensa, o Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI), de oposição ao governo, pediu ajuda à ONU e outros órgãos internacionais para tentar salvar os quatro, além de outros prisioneiros, e deu mais informações sobre a condenação.
"Mohammadreza Majidi Asl, de 34 anos, sua esposa Bita Hemmati, Behrouz Zamaninezhad e Kourosh Zamaninezhad foram presos durante a revolta em Teerã e submetidos a tortura e interrogatório. Eles foram sumariamente condenados à morte e tiveram todos os seus bens confiscados pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã", afirmou.
O Irã já executou sete pessoas ligadas a esses protestos, que, segundo ativistas, foram reprimidos com uma violência que deixou milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos.
Um quinto réu, Amir Hemmati, foi condenado a cinco anos de prisão discricionária pela acusação de “reunião e conluio contra a segurança nacional”, bem como a oito meses de prisão por “propaganda contra o regime”.
As manifestações, inicialmente motivadas pelo alto custo de vida, rapidamente se transformaram em uma mobilização nacional contra o governo, atingindo seu ponto mais alto nos dias 8 e 9 de janeiro.
Grupos de direitos humanos acusam a República Islâmica de usar a pena de morte como ferramenta de repressão para espalhar medo na sociedade e temem que o número de execuções dispare após a guerra contra Israel e os Estados Unidos.
Os quatro condenados foram considerados culpados de atuar em nome dos Estados Unidos.
G1
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