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Vice-governadora de estado argentino é declarada "persona non grata", após suposta declaração racista contra jogadores da França

Hebe Casado não poderá participar de nenhuma reunião de cooperação com a província em que a embaixada esteja presente, a menos que se retrate de suas declarações polêmicas.

Por Redação

14/07/2026 às 07:42 | Atualizado em 14/07/2026 às 07:44

Vice-governadora do estado argentino de Mendoza, Hebe Casado -

Vice-governadora do estado argentino de Mendoza, Hebe Casado (Foto: )

A embaixada da França na Argentina declarou a vice-governadora de Mendoza, Hebe Casado, persona non grata em suas instalações após as declarações da autoridade, classificadas pelo país europeu como racistas em relação à seleção francesa.

Tudo começou quando a funcionária provincial publicou, após a vitória da França sobre o Paraguai por 1 a 0 nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, uma mensagem no X dizendo:

— Muito bem, Paraguai. O time africano, sem modos. Não suporto [Kylian] Mbappé.

Publicação de vice-governadora de Mendoza, Hebe Casado, no X — Foto: Reprodução | X

Em resposta, o embaixador da França na Argentina, Romain Nadal, afirmou que as declarações têm “caráter racista que não deixa dúvidas” e que “desqualificam [a vice-governadora] para trabalhar com a embaixada ou participar de reuniões nas quais a embaixada esteja presente”, informou a agência AFP.

— O racismo não é uma opinião, é um crime. Não há lugar para o racismo na cooperação franco-argentina — declarou.

Como consequência, segundo a AFP, o embaixador informou que Casado é persona non grata na embaixada e determinou que suas equipes não participem de nenhuma reunião de cooperação com a província de Mendoza em que ela esteja presente, salvo se ela se retratar de suas declarações.

— Temos orgulho da nossa diversidade e não vamos tolerar este nem qualquer outro tipo de tentativa de denegrir ou negar a nacionalidade dos nossos jogadores. Como uma autoridade de um país como a Argentina, que reivindica com orgulho ter recebido a imigração de braços abertos, critica outra seleção cujos jogadores também são fruto da imigração? — declarou o embaixador.

Nadal também republicou uma mensagem que dizia: “O orgulho pelas nossas cores nunca pode se transformar em uma desculpa para discriminar. Toda forma de racismo, antissemitismo ou discriminação por origem, religião ou condição merece a mesma e absoluta rejeição”. “Como argentinos, torcemos com paixão pela nossa Seleção, campeã do mundo e exemplo de talento, humildade, integração e respeito. Competir, sim. Discriminar, nunca. O esporte deve unir, não dividir”, concluiu a publicação.

A vice-governadora de Mendoza se defendeu das reações negativas às suas palavras dizendo, também na rede social X:

— Só as pessoas inteligentes entendem o sarcasmo.

Em uma rádio de Mendoza, ela invocou o “folclore do futebol” e, ao se referir à França como “time africano”, ironizou o “politicamente correto”, afirmando que “todo mundo pensou isso”.

Sua mensagem, que provocou múltiplas reações nas redes sociais, acabou inicialmente ofuscada pela repercussão das declarações ofensivas de uma senadora paraguaia, Celeste Amarilla, sobre Kylian Mbappé, após a mesma partida entre Paraguai e França.

As declarações de caráter racista da parlamentar paraguaia provocaram a reação indignada do capitão dos Bleus, além da condenação dos governos da França e do Paraguai, do presidente da Fifa e até da ONU.

La Nacion

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