Menu
Mundo

Venezuela desbloqueia sites de notícias censurados há anos

Decisão ocorre antes de nova rodada de negociações entre governo e oposição, que terá liberdade de expressão entre os temas. Pelo menos 17 portais voltaram ao ar.

Por Redação

18/09/2026 às 14:31 | Atualizado em 18/09/2026 às 14:33

A presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, em 2 de setembro de 2026 — Foto: Leonardo Fernandez Viloria/REUTERS

Vários sites de notícias que estavam bloqueados há anos na Venezuela foram desbloqueados nesta quinta-feira (17) pela agência reguladora das telecomunicações do país. A decisão foi anunciada horas antes do início de uma nova rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição, que terá entre os temas a liberdade de expressão.

A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) anunciou em comunicado o "restabelecimento formal do acesso a diversas plataformas e veículos de comunicação digitais nacionais e internacionais".

Entre os sites que voltaram a ficar acessíveis estão El Nacional, Efecto Cocuyo, El Pitazo, Runrunes e TalCual. O portal NTN24 também voltou a funcionar, embora tenha apresentado instabilidade.

Jornalistas e organizações de direitos digitais denunciam há anos o bloqueio de sites como uma forma de censura. Para acessar os veículos na Venezuela, usuários precisavam recorrer a ferramentas como VPNs.

"Conseguimos resistir, conseguimos inventar e chegamos vivos a este momento", celebrou Víctor Amaya, diretor do portal TalCual, bloqueado desde julho de 2024.

Censura

Para Luis Ernesto Blanco, diretor editorial do Runrunes, a decisão representa um reconhecimento de que os sites estavam, de fato, censurados. "Não havia uma resolução administrativa, uma ordem judicial que o exigisse", afirmou.

A ONG de direitos digitais VE Sin Filtro verificou o acesso a 17 portais em diferentes provedores de internet. Mesmo com o desbloqueio, a organização ainda registra 188 sites bloqueados na Venezuela, sendo 79 veículos de notícias.

O diretor do TalCual, cujo site foi liberado apenas por algumas empresas de telecomunicações, demonstrou ceticismo sobre a possibilidade de o desbloqueio alcançar todos os veículos.

"Tomara que não aconteça como em algumas libertações de presos, em que 100 são anunciadas, mas 60 ou 70 são verificadas", disse Amaya.

Segundo ele, o bloqueio fez o veículo perder 60% do tráfego e afastou anunciantes, que temiam sofrer punições das autoridades. Amaya manifestou esperança de que a medida permita ao país "ter um ambiente de comunicação normalizado".

Negociações

O desbloqueio ocorreu poucas horas antes do início de uma nova rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição venezuelana.

A líder da delegação opositora, Dinorah Figuera, comemorou a decisão, mas afirmou que ainda há veículos que continuam bloqueados.

"Este é um primeiro passo. Muitos meios de comunicação ainda estão ausentes e todos precisam retornar, integralmente e em definitivo", disse.
A mesa de diálogo, apoiada pelos Estados Unidos, foi aberta nesta quinta-feira, segundo Jorge Rodríguez, líder da Assembleia Nacional.

Em junho, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que parte da recuperação da Venezuela dependia de "criar as condições para uma imprensa livre e independente".

O vice-ministro de Gestão da Comunicação, Gustavo Villapol, também defendeu uma mudança na relação do governo com a imprensa e pediu que "a polarização" seja deixada para trás.

"Não podemos mais vilipendiar pessoas sem ter provas nas mãos. Não podemos usar a comunicação para interesses externos ao sentido vital da nossa nação", afirmou à TV estatal.

A decisão ocorre oito meses após uma intervenção dos Estados Unidos para capturar Nicolás Maduro. A presidente interina, Delcy Rodríguez, promoveu uma anistia para presos políticos, mas investigadores da ONU afirmaram nesta semana que o aparato repressivo da Venezuela continuava "intacto".

Nesta quinta-feira, a líder opositora María Corina Machado denunciou a prisão de Javier Oropeza, ex-prefeito de Torres. Segundo Machado, ele foi "sequestrado arbitrariamente, em plena luz do dia".

Oropeza havia retornado à Venezuela dois dias antes, após passar dois anos no exílio.

*Com informações da AFP

G1