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Injeção letal falha duas vezes e mulher condenada a morte é levada ao hospital nos EUA

Christa Pike recebeu duas doses de pentaorbital, mas o procedimento de injeção letal falhou e a detenta foi levada de ambulância a hospital no Tennessee.

Por Redação

01/10/2026 às 07:44 | Atualizado em 01/10/2026 às 07:47

Christa Pike - Divulgação

Christa Pike (Foto: Divulgação)

Christa Gail Pike deveria ser executada na quarta-feira (30), por um assassinato cometido em 12 de janeiro de 1995, mas o procedimento falhou duas vezes, fazendo com que a condenada fosse retirada de ambulância da penitenciária de segurança máxima de Riverbend, em Nashville (Tennessee, EUA), e levada a um hospital. As injeções que Christa recebeu continham pentaorbital, segundo registros da prisão. A falha é considerada sem precedentes na história da aplicação da pena capital nos EUA.

O procedimento havia sido confirmado após a negação de clemência pelo governador Bill Lee e a recusa da Suprema Corte de interromper o processo. Porém, uma hora antes do procedimento terminal, uma corte federal de apelações determinou que a execução fosse interrompida, argumentando que a defesa no julgamento inicial não levou em conta o seu histórico de abuso sexual e negligência na infância. No entanto, em uma audiência recente sobre o método de sua execução, o Estado declarou não contestar que ela tenha sofrido abuso sexual e estupro. Horas depois, a Justiça deu aval para a execução por injeção letal.

Esta seria a primeira aplicação da pena de morte contra uma mulher no estado desde 1819 — o nome da executada anteriormente não é citado nos arquivos judiciais e históricos e ela foi apenas tratada como "uma mulher negra anônima" condenada por homicídio. No entanto, segundo testemunhas e advogados, Christa não perdeu a consciência por completo, manteve os batimentos cardíacos e podia ser ouvida roncando fortemente atrás da cortina da câmara de execução. Robin M. Maher, diretora-executiva da entidade Death Penalty Information Center, afirmou que o que ocorreu com Christa é "algo único e sem paralelo".

O republicano Lee é um defensor convicto da pena de morte. Em maio de 2024, Lee sancionou discretamente uma lei que autoriza a aplicação da pena de morte para adultos condenados por estupro agravado de vulnerável. A medida entrou em vigor em julho daquele ano e buscou desafiar precedentes da Suprema Corte dos EUA que vetavam a pena capital para crimes que não envolvem homicídio. Após a falha na execução de Christa, Lee determinou investigação e suspensão da aplicação da pena de morte no Tennessee até o fim do ano. Apenas mais uma estava prevista.

Christa, aos 18 anos, e o seu então namorado, Tadaryl Shipp, com a ajuda de uma amiga, Shadolla Peterson, espancaram e torturaram até a morte Colleen Slemmer, de 19 anos.

O casal de namorados havia levado um pedaço do crânio de Colleen, uma migrante da Flórida que tentava a vida no Tennessee, como "lembrança" do crime brutal.

Christa temia que Colleen estivesse tentando "roubar o seu namorado", o que a levou a orquestrar o crime contra a "rival amorosa", disse a promotoria. Tadaryl teria concordado em participar para mostrar a sua fidelidade.

"O que Christa Pike fez foi monstruoso, mas ela não é um monstro. Esperamos que Colleen seja lembrada pela forma como viveu, e não pela maneira horrível como morreu. Desejamos paz aos entes queridos de Colleen e respeitamos o luto deles", disse em nota Trish Cooper, vice-diretora da Death Penalty Action, entidade que trabalha para impedir execuções e abolir a pena de morte por meio de defesa de direitos, educação e ação, poucas horas antes do horário programado para a execução. "Christa Pike cometeu um crime hediondo há mais de 30 anos. Ela demonstrou remorso por esse crime e, agora que recebeu tratamento psiquiátrico, não representa ameaça para as pessoas ao seu redor", acrescentou ela.

Os advogados de Christa solicitaram à Suprema Corte a suspensão da execução, citando o sofrimento dela com transtorno de estresse pós-traumático e o possível "sofrimento mental severo e terror psicológico adicional" decorrentes de ser amarrada a uma maca para receber a injeção letal. O apelo não foi aceito.

Por causa de abusos sofridos desde a infância, Christa pediu que todos os envolvidos na sua execução fossem mulheres. O pedido não foi atendido. Depois, a americana, dizendo estar "aterrorizada" com o processo de injeção letal, solicitou que fosse executada por enforcamento. O método, entretanto, não é usado no Tennessee desde o início do século passado.

Tadaryl recebeu sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. No entanto, ele foi condenado posteriormente em 2004 por tentar estrangular outro detento durante uma briga na prisão, o que acrescentou 25 anos à sua pena. Na prisão, ele se converteu ao islamismo.

Shadolla, a outra comparsa, recebeu liberdade condicional após se tornar informante no caso do Estado contra Christa e Tadaryl.

Mulheres executadas no Tennessee

Na época da última execução de mulher no Tennessee, pessoas negras escravizadas eram tratadas legalmente como propriedade, o que fazia com que nomes e detalhes biográficos de réus e executados frequentemente ficassem de fora dos registros oficiais do tribunal. Antes de 1819, há registro da execução por enforcamento de outra mulher negra escravizada em 1808 (também sem nome nos arquivos) e de Mary Holcomb (ou Molly Holcomb), igualmente negra, executada em 1807.

Nos EUA, 21 dos 50 estados ainda adotam a pena de morte como punição: Alabama, Arkansas, Flórida, Geórgia, Idaho, Indiana, Kansas, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Missouri, Montana, Nebraska, Nevada, Carolina do Norte, Oklahoma, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Texas, Utah e Wyoming. Em quatro outros estados (Arizona, Kentucky, Tennessee e Utah), o método alternativo é oferecido apenas a presos condenados à morte por crimes cometidos antes de uma data especificada (geralmente quando o estado passa do método anterior para a injeção letal).

Apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA desde a década de 1970, em comparação com 1.663 homens.

Extra Globo

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