Opinião
Joaquim Sérvulo
Entre Lula e Bolsonaro: uma eleição sem dono, que pertence aos dois
O espaço para uma terceira candidatura não existe mais. Lula e Flávio caminham para uma disputa concentrada em dois polos.
Por Joaquim Sérvulo • Política, cotidiano e justiça
30/09/2026 às 06:30 | Atualizado em 30/09/2026 às 06:31
Há alguns dias, diante da crescente procura pelo candidato Augusto Cury, escrevi um artigo afirmando que ele seria moído pela máquina de “moer gente”5h — a polarização.
Não deu outra. Hoje, a poucos dias da eleição, é possível afirmar que a disputa está concentrada em dois candidatos: Lula e Flávio. E mais: com base nas pesquisas recentes, nenhum dos demais nomes chegará a 10%.
Tais pesquisas mostram que tanto Lula quanto Flávio ultrapassam a casa dos 30%. Em algumas delas, um ou outro chega, inclusive, aos 40%. Na AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 29 de setembro, Lula aparece com 45,3% e Flávio com 42,2% no primeiro turno. No Datafolha de 21 de setembro, eram 39% e 36%, respectivamente. Ou seja, não há outros nomes. Cury inflou. Renan, Zema e Caiado não cresceram.
Em uma leitura dos levantamentos estaduais mais recentes, Lula aparece à frente em 11 estados, enquanto Flávio lidera em 8 estados e no Distrito Federal. Nas outras 7 unidades da Federação, há empate técnico. Lula lidera nos 9 estados do Nordeste; Flávio, por sua vez, aparece à frente em estados do Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste.
São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, apresenta vantagem de Flávio: 38% contra 33% de Lula, segundo o Datafolha. Em Minas Gerais, porém, o cenário é diferente: Lula aparece com 39% e Flávio com 37%, em empate técnico. No segundo turno mineiro, Flávio tem 46% contra 44% de Lula, também dentro da margem de erro.
Na Bahia, por outro lado, a vantagem de Lula é expressiva: 58% contra 23% de Flávio no primeiro turno, uma diferença de 35 pontos percentuais.
Ora, é comum entre os analistas políticos a afirmação de que pesquisa é foto e eleição é filme. A pesquisa registra um momento, mas a eleição é formada por vários momentos, que ganham contornos diferentes até o dia da votação.
Todavia, uma coisa parece evidente: o espaço para uma terceira candidatura não existe mais. Lula e Flávio caminham para uma disputa concentrada em dois polos. E há um grande fato: até aqui, não é possível afirmar, com plena convicção, quem vencerá a eleição. A própria pesquisa AtlasIntel, divulgada em 29 de setembro, mostra o tamanho da indefinição: no segundo turno, Flávio aparece com 47,7% e Lula com 47,6%, um empate técnico dentro da margem de erro de um ponto percentual.
Embora haja toda essa imprevisibilidade, não quero perder a oportunidade de opinar: Lula vencerá o primeiro turno, mas perderá o segundo. E explico: entendo que, hoje, o antipetismo é maior que o próprio petismo. Essa força, ainda viva, real e crescente, nasceu há anos, antes mesmo da queda de Dilma Rousseff, e será o poder dominante desta eleição histórica. Afirmo isso sem beber qualquer gole de amor ou ódio, pois não nutro qualquer admiração por Flávio. Tal afirmativa é tão somente uma leitura da política brasileira, que deverá ser levada em consideração caso ocorra. E o que nos resta, portanto, é aguardar.
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