Menu
Eleições 2026

Debate começa propositivo e acaba com troca de ofensas entre Flávio e Lula

A mudança de postura dos candidatos ocorreu no último e único bloco com temas livres.

Por Redação

24/10/2026 às 08:39

 - TV Globo

(Foto: TV Globo)

O segundo e último debate presidencial de 2026 hoje na TV Globo começou com a apresentação de propostas pelos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), mas terminou com uma troca generalizada de ofensas.

Com temas livres, o quarto bloco acabou virando espaço para acusações de ambos os lados sobre as notícias que dominaram a campanha eleitoral, com destaque para o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Foram citados também as investigações que envolvem o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e a mansão disputada pelo jogador Richarlison e o advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz.

A mudança de postura dos candidatos ocorreu no último e único bloco com temas livres. Nos três blocos anteriores, Lula e Flávio também se atacaram, mas priorizaram pelo modelo do programa a apresentação de propostas de acordo com os temas sorteados.

Segurança e caso 'Ana Clara'

O tema da segurança, por exemplo, colocou os dois em lados opostos no terceiro bloco. Ao afirmar que, se eleito, Flávio vai devolver à população territórios dominados do crime organizado, o candidato foi logo questionado pelo adversário sobre que tipo de segurança ele promete.

O presidente levou ao debate a mãe da menina Ana Clara, de 5 anos, morta com um tiro de fuzil durante uma ação policial no Rio em 2021. Cristiane Gomes da Silva atribui ao senador, que faz parte da defesa do policial que teria dado o tiro, a decisão da Justiça de adiar o julgamento.

Ao ser questionado por que um senador da República defende um "policial assassino", Flávio disse que não há provas que o agente citado tenha cometido o crime. Nervoso, ele cometeu uma gafe: chamou a mãe pelo nome da filha. O programa não mostrou a imagem de Cristiane, que veste uma camiseta com a foto da filha. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de atirar. Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a decisão de levá-lo a júri popular.

O veto às bets também dominou parte dos debates no terceiro bloco. Em recado às mulheres, Lula defendeu sua medida de vetar o jogo online no Brasil e Flávio afirmou que a decisão foi tomada de última hora, por causa das eleições, prejudicando os times de futebol que são patrocinados majoritariamente pelas empresas de apostas.

No começo do terceiro bloco, Flávio ainda criticou o preço dos alimentos. "Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora. Chegou ao ponto de falar a seguinte frase: 'Se a comida está cara, não compra'. Lula, você está achando a comida barata para o brasileiro que está endividado", disse.

Lula admitiu que o endividamento dos brasileiros é "uma coisa muito séria". "Nós, desde o primeiro mês de mandato, criamos o primeiro 'Desenrola' para resolver o problema da dívida, criamos o segundo e agora estamos criando o terceiro."

Pedido de desculpas

O segundo bloco do debate da TV Globo nesta noite foi marcado por um pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro ao presidente Lula por tê-lo chamado de "nove dedos" no embate inicial.

"Não vou aceitar ser tratado assim e por um miliciano", disse Lula. Antes, o presidente usou seu tempo para discursar como perdeu um dos dedos aos 17 anos — durante o trabalho em uma metalúrgica no ABC, em São Paulo —, e exigir uma reparação.

Flávio aproveitou o momento. Pediu desculpas a Lula se falou "algo que lhe tenha ofendido" e aproveitou para exigir do petista pedidos de desculpas, por exemplo, às famílias brasileiras que não conseguem chegar ao final do mês com comida no prato, às mulheres que não se sentem seguras.

A primeira pergunta do bloco, no entanto, foi a mesma feita no debate da Band, relativa ao voto contrário do então deputado estadual do Rio sobre um projeto de lei que ampliava a licença maternidade das servidoras do estado. Sem fugir dessa vez da resposta, Flavio disse que se "arrependeu" e que votou contra porque "imaginava que a ampliação do benefício de 120 para 180 dias iria prejudicar as mulheres na busca por um emprego".

Em seguida, ainda no tema "políticas sociais", Lula questionou o senador sobre o motivo de ele ter chamado o Bolsa Família de "bolsa-farelo".

Ainda nesse tema, o senador propôs "comprar dívidas de pessoas físicas e pessoas jurídicas". Para o primeiro grupo, o candidato ainda se comprometeu a postergar pagamentos a serem financiados em seis meses e, para o segundo grupo, em um ano. Lula disse que a proposta já foi feita por ele, com projeto a ser aprovado no Congresso. "Não adianta fazer promessa copiando o que já fizemos", provocou o petista.

Ao poder escolher entre dez temas a serem abordados em perguntas obrigatórias, ambos os candidatos defenderam as atuais políticas sociais, em especial o SUS. Flávio usou o atentado sofrido pelo pai, Jair Bolsonaro, para falar da importância da rede pública de saúde.

Salário mínimo

O presidente Lula (PT) partiu para o ataque contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, no primeiro bloco do debate da TV Globo. Logo de cara, o petista afirmou que o adversário não conhece o Brasil ao abordar o tema "infraestrutura e exportação", sorteado pelo apresentador Cesar Tralli, e disse que ele "estuda para decorar, mas não para aprender".

Em postura oposta, Flávio priorizou a apresentação de propostas até então desconhecidas. Ele prometeu, por exemplo, concluir obras paradas do governo petista e garantir pedágio zero para motos em todas as novas rodovias a serem abertas no território nacional. Sem citar nenhum exemplo, o candidato ainda se comprometeu a continuar projetos de concessão iniciados pelo governo Jair Bolsonaro. Já Lula disse que vai concluir as obras da transposição do Rio São Francisco e da ferrovia transnordestina.

Mas já na segunda pergunta, ainda sobre o mesmo tema, Lula já mudou de assunto e perguntou a Flávio se saberia dizer quanto seria o valor do salário mínimo se o pagamento não fosse reajustado acima da inflação todos os anos, como faz o PT. Flávio não respondeu e o presidente afirmou que seria de R$ 900 — e não os atuais R$ 1.621 pagos hoje.

Mais à vontade do que no debate da Globo, o presidente fez nova pergunta na mesma rodada. Dessa vez sobre a posição do adversário sobre sua proposta de tarifa zero no transporte público em todo o país para o trabalhador, que agora terá dois dias de folga com o fim da escala 6x1. Flávio se mostrou favorável e partiu para o ataque ao dizer que Lula é contra o agronegócio e o centro-oeste.

"Você que planta e enfia sua mão na terra para garantir o seu sustento, eu sei das suas dificuldades. É tanta burocracia e juros", disse Flávio, que, em seguida, assegurou que vai aumentar o salário mínimo todos os anos acima da inflação — bandeira petista.

Como tem afirmado em comícios e nas propagandas eleitorais, o senador voltou a abordar o preço alto dos alimentos e foi rebatido por Lula ao discursar sobre suas ações para reduzir a fome no país. O presidente seguiu o tema e perguntou ao adversário como vai fazer o tesouraço que propõe — estimado em cerca de R$ 200 bilhões —, sem cortar de programas sociais. Lula usou como exemplo o governo de Javier Milei, da Argentina, para sugerir que Flávio vá cortar dos pobres. O senador negou e chamou a afirmação de fake news.

Ao ser perguntado sobre o motivo de a bancada do PT ter sido contra o marco regulatório do saneamento básico, que, segundo o senador, significa saúde, Flávio foi mais uma vez atacado por Lula. O presidente afirmou que ele não conhece nada do Norte, a região sorteada da vez. E sugeriu que ele fosse ao Google pesquisar tudo o que seu governo fez pela região amazônica.

Flávio rebateu, dizendo que ele não sabe responder nada e, por isso, pede para as pessoas irem à internet pesquisar as respostas. Em seguida, afirmou que em função de questões "ambientais" não é possível avançar em projetos de infraestrutura e saneamento em áreas como Belém, no Pará. Depois, afirmou que, se eleito, vai dar "autonomia para que as populações indígenas resolvam o que querem fazer com suas terras".

Na última pergunta do bloco, mais uma promessa de Flávio: manter o Bolsa Família.

Regras evitaram proximidade

Diferentemente do primeiro encontro entre Flávio e Lula ocorrido no domingo passado, na Rede Bandeirantes, o debate de hoje não foi marcado apenas por provocações em função das regras. Ambos tiveram de priorizar a apresentação de suas propostas para temas sorteados ou escolhidos pelos candidatos em cada bloco.

A mudança de postura não foi resultado só de novas estratégias dos candidatos, mas de regras mais rígidas até mesmo sobre a posição de ambos pelo cenário impostas pela emissora — eles só puderam se movimentar livremente no último bloco e mesmo assim apenas de um dos lados. A medida teve por objetivo evitar que Flávio repetisse a manobra de se posicionar o tempo todo atrás do presidente para debochar de suas falas.

Uol

Anúncio full