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Democracia da natureza: animais também podem definir quem vai liderar o grupo atrvés de decisões coletivas
Em algumas espécies, as decisões são tomadas de forma coletiva, sem a necessidade de um animal para atuar como o líder de todo o grupo.
Por Redação
17/10/2026 às 11:20
O mês de outubro marca as eleições nacionais no Brasil, mas o processo eleitoral não ocorre somente entre humanos. O processo se repete também na natureza, e o Metrópoles separou três exemplos de “votações” que acontecem na fauna.
“A palavra ‘voto’ pode ser usada na biologia como uma forma de explicar alguns mecanismos de decisão coletiva, mas é importante lembrar que os animais não votam da mesma maneira que os seres humanos”, ressalta o médico veterinário Gerson Norberto, diretor técnico do BioParque, no Rio de Janeiro.
Especialistas explicam que, em algumas espécies, as decisões são tomadas de forma coletiva. Em vez de existir uma liderança que define tudo no grupo, a maioria decide os próximos passos.
“Em alguns casos existe, sim, uma liderança mais evidente, principalmente quando determinados indivíduos possuem maior experiência, informação ou influência social. Em outros, a liderança é distribuída: vários indivíduos podem iniciar uma movimentação e o grupo acaba seguindo a direção que recebe maior adesão”, exemplifica o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, no estado de São Paulo.
Entre as principais decisões coletivas que os animais tomam estão a direção de migrações e deslocamentos, a escolha de um novo local para morar e a definição de rotas diárias do bando.
Para tomar as decisões, os bichos levam em consideração uma combinação entre informações do ambiente e do meio social em que estão inseridos. Já quando querem votar para para mudar de moradia, a depender da espécie, eles analisam se a casa nova oferece disponibilidade e qualidade de alimento, água, temperatura adequada, abrigo, boas condições do terreno e baixo risco de predação.
“Esse processo permite que o grupo aproveite informações distribuídas entre vários indivíduos, mesmo que nenhum deles tenha uma visão completa de todo o ambiente”, destaca Moreira.
Os bichos obtêm todas essas informações por meio da visão, audição, olfato e tato, sentidos que ajudam a identificar oportunidades e riscos e a decidir o que fazer.
Três animais que “votam” na natureza
Entre as abelhas-europeias (Apis mellifera), quando a colônia precisa de uma nova moradia, abelhas exploradoras saem em busca de opções. Ao retornarem, apresentam as alternativas de forma inusitada.
“Elas apresentam essas opções ao restante do enxame por meio da chamada dança do requebrado (ou waggle dance, em inglês). A dança transmite informações sobre a localização do recurso e pode indicar, entre outras coisas, a qualidade relativa do local encontrado”, explica Norberto.
Ainda segundo o veterinário, as abelhas têm a opção de visitar posteriormente as alternativas trazidas à colmeia e divulgar a que consideraram mais adequada. A decisão final é tomada quando um número suficiente de “votantes” opta por um determinado local, o que faz o enxame iniciar o deslocamento.
No caso dos búfalos-africanos (Syncerus caffer), estudos anteriores mostravam que as fêmeas adultas indicavam a direção de preferência ao grupo por meio da orientação do corpo. Contudo, pesquisas mais recentes e detalhadas sugerem que o consenso da manada é alcançado pela influência mútua e pelo alinhamento progressivo entre os membros do grupo
“Para os búfalos-africanos, existe um fenômeno descrito na literatura que funciona como uma votação para discutir decisões coletivas”, revela Moreira.
Já entre os babuínos-anúbis (Papio anubis), estudos apontam que, se vários animais se deslocam em uma mesma direção, a tendência é que os outros os acompanhem. Quando há uma preferência clara e massiva, o grupo a segue. Porém, se houver discordância no bando, os indivíduos podem adotar um caminho intermediário ou o grupo acaba se dividindo.
“Esses resultados sugerem que a decisão pode surgir da interação entre vários indivíduos, e não apenas de uma ordem dada pelo animal dominante”, diz Norberto.
Metrópoles
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