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Líder de seita no Quênia é condenado a 200 anos de prisão pelo assassinato de 190 crianças

Paul Nthenge Mackenzie havia ordenado que seus seguidores parassem de comer e pregava que as crianças deveriam morrer primeiro; outras 28 pessoas também foram condenadas.

Por Redação

06/11/2026 às 22:20

O autoproclamado pastor Paul Mackenzie observa durante sua comparecimento ao Tribunal de Justiça de Mombasa - Simon Maina/AFP/Getty Images via CNN Newsource

O autoproclamado pastor Paul Mackenzie observa durante sua comparecimento ao Tribunal de Justiça de Mombasa (Foto: Simon Maina/AFP/Getty Images via CNN Newsource)

Um tribunal do Quênia condenou nesta sexta-feira, 6, o líder de uma seita a 200 anos de prisão, após ele ter sido considerado culpado, no mês passado, pelo assassinato de 190 crianças e um adulto que foram forçados a morrer de fome para encontrar Jesus.

O líder da seita, Paul Nthenge Mackenzie, havia ordenado que seus seguidores parassem de comer, e auxiliares impuseram a determinação com violência, segundo informações apresentadas durante o julgamento em um tribunal de Mombasa.

Embora Mackenzie tenha recebido a pena mais longa, outras 28 pessoas também foram condenadas por seu envolvimento no massacre. A maioria das crianças que morreram tinha menos de 10 anos.

Mackenzie, ex-motorista de táxi e pregador televisivo de pouca expressão, foi preso em 2023, depois que as autoridades quenianas exumaram os corpos de mais de 400 pessoas que morreram nos dois anos anteriores na Floresta de Shakahola, região remota do sudeste do Quênia, próxima ao Oceano Índico.

Os promotores haviam pedido que Mackenzie fosse condenado à morte, mas a juíza Diana Kavedza-Mochache rejeitou o pedido.

“Para pessoas que consideram a morte uma forma de libertação, a pena de morte pode ser vista não como punição, mas como uma vitória e uma forma de martírio”, afirmou. A juíza observou que Mackenzie não demonstrou remorso nem empatia pelas vítimas.

Mackenzie promovia sua seita, que funcionou em Shakahola de aproximadamente 2019 a 2023, como um refúgio onde os seguidores poderiam se proteger do apocalipse, que, segundo ele pregava, estava próximo.

Pais que obrigaram os filhos a jejuar estavam entre os condenados ao lado de Mackenzie. Eles receberam penas que variaram de 10 a 160 anos de prisão.

Em uma entrevista anterior, um ex-integrante da seita contou ao jornal The New York Times que Mackenzie pregava que os pais deveriam garantir que as crianças jejuassem sob o sol e morressem primeiro, para que chegassem ao céu antes dos familiares adultos.

O massacre de Shakahola, como o episódio ficou conhecido no Quênia, é um entre vários casos registrados no mundo de líderes de seitas que distorcem ensinamentos religiosos para exercer influência sobre seus seguidores, às vezes com consequências fatais. Um exemplo notório ocorreu em 1978, quando Jim Jones, líder de uma seita, ordenou que seus seguidores tirassem a própria vida em um assentamento remoto na Guiana. Ao menos 900 pessoas morreram.

Em 2000, na aldeia de Kanungu, em Uganda, seguidores de uma seita apocalíptica chamada Movimento pela Restauração dos Dez Mandamentos de Deus foram encontrados mortos. Alguns haviam sido carbonizados. O massacre deixou 780 vítimas.

Estadão Conteúdo

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