Esportes
Clubes ameaçam paralisar o Brasileirão em protesto contra fim das bets
Dirigentes querem pressionar governo por período de transição e alternativas para compensar perdas com patrocínios.
Por Redação
29/09/2026 às 21:10 | Atualizado em 29/09/2026 às 21:14
Clubes brasileiros passaram a discutir nessa segunda-feira (28) a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o Governo Federal após a decisão de proibir a atuação das casas de apostas no país.
A medida preocupa os dirigentes principalmente pela perda de receitas de patrocínios, já que as bets estão entre as principais fontes de dinheiro do futebol brasileiro.
A ameaça de não entrar em campo tem dois objetivos. O primeiro é pressionar o governo a ampliar as medidas de auxílio aos clubes. Entre as propostas está uma linha de crédito com juros baixos, que já vinha sendo negociada antes da decisão sobre as bets.
Os dirigentes também querem um período de transição para o fim da publicidade das casas de apostas. A ideia é manter os contratos por mais seis meses a um ano, dando tempo para os clubes buscarem novos patrocinadores e reorganizarem os orçamentos.
As informações são do jornal Estado de S.Paulo.
CBF entra na negociação
O segundo objetivo da movimentação é levar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para o centro das negociações.
Nesta terça-feira (29), o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu para participar, no Supremo Tribunal Federal (STF), do processo que questiona a medida provisória responsável pela proibição das bets.
A entidade representa clubes e federações e tem influência da CBF. A iniciativa foi interpretada por dirigentes como um sinal de maior envolvimento da confederação na discussão.
A eventual paralisação do Brasileirão também aumentaria a pressão sobre o governo porque o calendário do futebol brasileiro já está apertado até o fim do ano.
Reunião com governo é cancelada
A reunião prevista para esta terça-feira (29), em Brasília, reuniria representantes do governo e dirigentes de clubes para discutir alternativas após a proibição das casas de apostas.
O encontro foi cancelado depois que vários presidentes informaram que não participariam. O movimento teve adesão inclusive de clubes considerados mais próximos do governo, como o Corinthians.
O clube paulista participa das negociações por uma linha de crédito com juros baixos para o pagamento de dívidas e também trata com a Caixa Econômica Federal de alternativas relacionadas ao financiamento da Neo Química Arena.
Apesar do cancelamento, as conversas sobre o modelo de crédito não foram encerradas.
Clubes temem impacto nas contas
Além dos valores que ainda têm a receber em 2026, os clubes afirmam que o fim dos contratos com as bets pode afetar o planejamento financeiro da próxima temporada.
Parte das equipes já havia incluído receitas de patrocínio das casas de apostas nos orçamentos de 2027. Com a interrupção dos acordos, os dirigentes terão de buscar novos parceiros para tentar compensar a perda.
A preocupação, portanto, não se limita ao dinheiro que deixará de entrar nos próximos meses. Os clubes também avaliam como substituir as receitas que estavam previstas para a próxima temporada.
Metrópoles
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